quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Escolhendo a workstation certa para cada tipo de tarefa.

“No início era o PC, depois os deuses da informática criaram a workstation”. Assim poderia começar a ser escrito o evangelho da computação gráfica. Depois de vários anos sendo pau para toda obra, o PC teve que evoluir. Não resta dúvida que o chamado computador pessoal foi responsável por vários fenômenos na sociedade do século XX e que continua a fazer história no século XXI. Graças a ele, o uso do computador por bilhões de pessoas se tornou uma tarefa rotineira.
No trabalho, nos centros de pesquisa, nas universidades e em nossos lares, ele hoje é indispensável. Milhares de tarefas delegadas a máquinas e mecanismos distintos foram, aos poucos, sendo reunidas em um só equipamento. Os programas se multiplicaram aos milhões. Foram e são inventadas diariamente mais e mais atividades que usam o computador como administrador. Algumas delas, antes executadas por humanos, jamais voltarão a serem feitas manualmente
Na área de criação de entretenimento audiovisual o avanço foi enorme. A edição de vídeo passou de sistemas eletro-mecânicos lentos, grandes e caros para computadores muitas vezes portáteis como notebooks. A criação efeitos visuais em 2D ou 3D passou das pranchetas dos artistas gráficos e oficinas de maquetes para dentro dos computadores pessoais. A gravação e masterização de música e áudio pode ser feita em casa, com instrumentos e microfones ligados diretamente a equipamentos portáteis como notebooks e, mais recentemente, aos notepads.
Muito mais pessoas tem acesso a toda essa tecnologia e podem ingressar em um mercado de trabalho usando seus próprios equipamentos. Não dependem mais de serem empregados em grandes complexos industriais que antes detinham essas tecnologias e seus maquinários. Mas não devemos confundir disseminação e popularidade com banalização, sob pena de perder o foco da qualidade.
A popularização da tecnologia de criação e edição de conteúdo audiovisual possibilitou aos fabricantes de programas e de hardware baixarem os preços desses componentes, venderem mais e conseqüentemente terem mais recursos para investir em pesquisa e desenvolvimento desses produtos. Esse desenvolvimento aumentou a sofisticação dos recursos disponibilizados e por conseguinte a especialização dos equipamentos necessários para sua execução.
A geração atual de processadores para computadores e especificamente para placas de vídeo deu um salto qualitativo enorme. A Intel, líder na fabricação e venda de processadores e a AMD, sua maior concorrente conseguiram dar um salto enorme em um período de tempo curto na potencia de seus chips. Até o lançamento da segunda geração de processadores da série Core i7, o desempenho desses chips crescia de maneira linear e aritmética. Durante duas décadas cada modelo lançado era, geralmente 30% melhor que seu antecessor em termos de desempenho e economia de energia.
Da primeira para a segunda geração do Intel i7, o desempenho mais que duplicou em algumas tarefas. E a economia de energia chegou, em certos casos, a mais de 100%. Com os chipsets gráficos fabricados pela AMD e pela Nvidia parece estar ocorrendo o mesmo. Restrição feita entretanto ao quesito economia de energia, que não foi tão substancial quanto o desempenho.
Como eu monto workstations para edição não linear e computação gráfica, sempre estou sempre atento a esse desenvolvimento. A internet é uma fonte inesgotável de pesquisa. Procuro acompanhar os testes de desempenho e opiniões dos profissionais seriamente envolvidos com o tema. Atualmente monto 5 modelos distintos de equipamentos, cada um com uma finalidade-chave.
Como discorri no início do artigo, a especialização se tornou quase obrigatória. Uma determinada workstation equipada com um tipo de processador pode ser muito rápida para uma tarefa. Isso não significa que vá ter o mesmo desempenho em tarefas parecidas mas com requisitos ligeiramente diferentes.
Poucos anos atrás, minha meta era montar sistemas que pudessem realizar todas as tarefas comuns a um empreendimento dedicado a produção de conteúdo audiovisual. A métrica era a economia de recursos. E os aplicativos, até então necessários, rodavam razoavelmente bem em um único computador. Eu podia rodar programas de edição, pós-produção e criação de animações 2D e 3D sem maiores problemas.
A partir de 2009 o cenário mudou completamente. As necessidades e especificações técnicas se tornaram distintas. Hoje aceito a necessidade de ter 2 ou 3 sistemas diferentes, que se comuniquem entre si com velocidade, para realizar as etapas distintas da produção de um vídeo em alta definição. O custo certamente aumentou, mas pode ser pago com a economia de tempo conseguida.
Eu ainda posso montar um sistema rápido o bastante para trabalhar com computação gráfica e superdimensionado para edição de vídeo. Mas como o profissional também se tornou especializado, o uso de apenas um sistema implicaria em 2 ou 3 pessoas usando o mesmo computador. Um aguardando a sua hora de trabalhar no conteúdo terminado pelo colega.
Isso obviamente é inviável, dada a pressa permanente da nossa atividade. Os contratos tem prazos curtíssimos e sempre trabalhamos em cima de atrasos inerentes a própria natureza do trabalho criativo e dos caprichos do cliente.
Mesmo no caso do profissional autônomo e multi-tarefa tão comum no nosso meio, quase sempre é mais rápido realizar uma etapa em um sistema, perder alguns minutos exportando o conteúdo para outra e ganhar um tempo considerável na outra etapa.
Falando mais especificamente de números, vamos analisar os gráficos abaixo. O primeiro ponto que quero abordar, está relacionado com a velocidade de processamento a qual me referi no início desse artigo. Nos testes, usando três programas dedicados para edição, computação gráfica e pós-produção, que representam o fluxo geral da maioria dos trabalhos de vídeo para televisão, vemos que o desempenho da segunda geração de processadores i7 da Intel é substancialmente maior que seus predecessores.



Outro detalhe importante e surpreendente é que o processador i7 2600K de 4 núcleos conseguiu ser ligeiramente mais rápido que o processador i7 990X de 6 núcleos rodando o aplicativo Adobe After Efects CS5. Parece que o After Efects não se beneficia tanto da computação distribuída entre os diversos núcleos do processador quanto o Premiere Pro CS5 ou o 3DMax. Os dois núcleos físicos extras do i7 990X são mais foram mais rápidos rodando os dois últimos citados. Mesmo assim a diferença foi pequena considerando um aumento de 50% no número de núcleos. Isso pode estar relacionado ao uso da tecnologia Turbo Boost que aumenta automaticamente a frequência dos núcleos de acordo com o número deles em uso. No caso de todos os 6 núcleos estarem sendo usados, a frequência máxima do 990X fica pouco acima dos 3,46 Ghz oficiais. Enquanto o i7 2600K com 8 núcleos pode chegar até 3,8 Ghz.
O processamento paralelo distribuído por diversos núcleos faz diferença em todos os programas que usam essa tecnologia. Ainda observando o gráfico acima, percebemos que os tempos médios caíram pela metade entre o antigo Core 2 Duo de dois núcleos e o Core 2 Quad de quatro núcleos. E também entre o Core 2 Quad e Core i7 990X de seis núcleos.
Mas o desempenho do modelo i7 2600K de apenas 4 núcleos e processador numérico destravado (indicado pela sufixo K) é apenas ligeiramente inferior, sendo até mais rápido rodando o Adobe After Efects, que seu irmão maior e 3 vezes mais caro i7990X, ainda a grande estrela da Intel e considerado o processador mais rápido do mundo na categoria. Perde apenas para o Intel Xeon 5690 por pouca diferença e que custa estratosféricos R$ 5.000,00!
No aspecto custo-benefício também é necessário ressaltar que atualmente é discutível o investimento em estações de trabalho baseadas nos processadores Xeon e placas-mãe com duas CPU. A pergunta é: vale investir R$ 8.000,00 somente na compra de 2 processadores Xeon, fora o restante do hardware, contra R$ 800,00, que é o preço de um Core i7 2600K, para ter um ganho de apenas 40% de performance em aplicativos como o Adobe After Efects? Uma resposta da vida real: Renderizar 30 segundos de vídeo com 3 layers e alguns efeitos no After Efects CS5 com um processador i7 2600K, que custa R$ 800,00 vai levar nove minutos. Se o mesmo render for realizado com os dois Xeon a um custo 10 vezes mais alto, o tempo total será de cinco minutos. Economia de quatro minutos.
Se fosse um vídeo com duas horas de duração, os tempos seriam 36 horas de render com i7 2600K e 22 horas com uma estação usando os dois Xeon. Mas ninguém renderiza um vídeo desse tamanho em After Efects! Em 90% dos casos usamos o After para produzir comerciais de trinta segundos ou vinhetas menores que isso para ilustrar vídeos corporativos ou documentários. Devemos ter sempre em conta a duração da vida útil do equipamento. As tecnologias mudam rapidamente. A durabilidade pode ser longa, mas certamente a obsolescência vai aposentar antes sua estação de trabalho. E certamente, em um caso como o descrito acima, ela não iria se pagar.
Falei do primeiro ponto, que era o ganho de desempenho dos processadores atuais. O segundo ponto a ser considerado é a especialização das tarefas. Aqui deve ser levado em conta não apenas a adequação da CPU mas também o conjunto de hardwares que ela gerencia. Para certas aplicações com uso intensivo do processador, como em atividades de computação paralela, todos os núcleos devem ter memória RAM e velocidade de tráfego suficientes para evitar gargalos. Alguns programas exigem mais memória RAM, outros maior capacidade de processamento paralelo, outros dependem mais de um gerenciamento eficaz e veloz do fluxo de dados contido em diversos discos rígidos.
Cada processador deve trabalhar com um chipset apropriado e esse chipset por sua vez, demanda certas características contidas em outros chips incorporados nas placa-mãe. Então a combinação harmoniosa de todos esses elementos é que vai determinar a vocação de cada sistema. Vejamos o exemplo do Adobe After Efects CS5:

Como pode ser notado no gráfico acima, surpreendentemente o processador i7 2600 de 4 núcleos foi mais rápido que o mais rápido processador da Intel no momento. Embora a diferença tenha sido mínima, o i7 990X de 6 núcleos ficou 31 segundos atrás do concorrente. Esse resultado causa espanto em todos os autores de benchmarks de processadores. O resultado favorável ao 2600 se deve provavelmente a forma com que o programa gerencia o paralelismo entre os núcleos, a memória e os parâmetros de cada quadro de vídeo durante o render.
O After Efects em suas Preferências de Sistema, permite ao usuário escolher quantos núcleos quer dedicar exclusivamente ao render e quais devem ser deixados de lado para as demais atividades do computador e do sistema operacional. Também permite a escolha a quantidade de memória que deve ser reservada pelo programa para cada núcleo do processador e para uso geral pelo sistema. Apesar do 990X ter 6 núcleos, a arquitetura interna dos novos processadores Sandy Bridge, da qual o 2600 faz parte, gerencia melhor o controle de memória, a comunicação entre os discos rígidos ligados as portas Sata e por fim, a tecnologia Quik Synk, direciona a codificação e decodificação de vídeo para uma área específica e dedicada do processador.
Influencia também o nos resultados a quantidade de memória RAM disponível. Provavelmente um teste entre processadores i7 2600 instalados em sistemas com quantidades de memória diferentes iria apresentar resultados diretamente proporcionais. Esse é um caso típico em que investir um valor expressivamente maior na compra de um processador 990X não traria resultados práticos. A diferença de preços entre os dois processadores citados é mais que suficiente para popular todos os slots disponíveis com a maior quantidade possível de RAM de marca e velocidade top de linha e ainda sobrar dinheiro para investir em discos rígidos mais rápidos. Em linhas gerais, uma workstation equipada com o i7 2600 é pelo menos R$ 2000,00 mais barata, se comparada com outra equipada com os mesmos periféricos, porém com um processador i7 990X.
Quando se trata de edição não linear, ha uma boa vantagem do processador 990X sobre o 2600 rodando o Premiere Pro CS5:


O Premiere Pro CS5 apesar de pertencer a mesma família de aplicativos da Adobe, na chamada Suite CS5, faz uso mais eficiente da computação paralela distribuída por vários núcleos. A vantagem aqui se inverte para o top de linha da Intel que terminou com folga de 45 minutos a tarefa de renderização de um vídeo de duas horas exportado da timeline para o formato H.264 BluRay. Aqui estamos falando de uma workstation com valor médio de R$ 10.000,00 para outra equipada com i7 2600 que requer um investimento de cerca de R$ 6.500,00.
Nesse caso, se a maior parte do fluxo de trabalho for a edição não-linear o investimento compensa. Mas, curiosamente, se além dessa tarefa forem executados muitos trabalhos com uso intensivo de After Efects, a balança pende mais para o lado da ilha equipada com processador i7 2600 com custo mais atraente. Se, por outro lado, a tarefa principal for a criação de conteúdo de animação com uso de aplicativos como AutoDesk 3DMax ou Maya, ou mesmo criação de projetos de engenharia, com detalhamento ultra realista de maquetes, de peças e outros objetos com alto nível de detalhes, a escolha novamente requer alguns cuidados, pois a diferença de desempenho do top 990X é apenas ligeiramente superior ao 2600:


No gráfico acima podemos ver que renderizar 30 segundos de vídeo, em movimento de câmera (flyby) com o plugin Mental Ray, em alta definição, deu uma vantagem de quase dois minutos para o 990X sobre seu irmão menor 2600. Aqui novamente estamos falando de uma diferença suficiente em reais para, por exemplo, investir em um upgrade da placa de vídeo. Nesse caso, aliás em todos os aplicativos citados nesse artigo, uma placa de vídeo top faz toda a diferença no desempenho dos sistemas testados.
Para trabalhar com os aplicativos da Adobe, apesar de recomendado por ela e pela parceira Nvidia, uma placa GTX 480 pode funcionar com o mesmo desempenho de uma Quadro 4000, com economia de quase 50% no valor inicial de aquisição. Mas com a diferença de preços entre um processador 990e um 2600, um investimento em uma NVidia Quadro 5000 ou mesmo a top Quadro 6000 com seus massivos 6 Gb de RAM DDR5. O valor médio de uma workstation Core i7 9600 equipada com GPU Quadro 4000 chega aos R$ 12.000,00. A mesma estação equipada com processador Intel i7 2600 e a mesma placa de vídeo fica nos R$ 10.000,00. A diferença, no caso, R$ 2000,00 é suficiente para trocar a Quadro 4000 por um modelo 5000. Para o modelo 6000 ainda seria necessário investir mais uns R$ 3.000,00, elevando o custo final para algo em torno de R$ 15.000,00.

Se fosse minha escolha, eu apostaria na i7 2600 com a NVidia Quadro 5000. Potencia suficiente para rodar qualquer aplicativo da Adobe, AVID ou AutoDesk sem dificuldades. O que vale ressaltar para concluir esse artigo é que, conforme já foi dito antes, o importante e planejar bem o uso da estação de trabalho. Se você é um profissional autônomo, trabalha sozinho e executa as três atividades (edição, criação 3D e finalização), pode pensar em ter uma estação só como essa que acabei de sugerir. Mas uma divisão de tarefas entre duas estações medianas custando, cada uma, cerca de R$ 7.500,00 reais pode ser também uma ótima solução. Liberar uma máquina para concluir o trabalho em outra pode significar um ganho de tempo razoável, pois enquanto uma renderiza ou finaliza um job, você pode iniciar outro trabalho na máquina ociosa. Se as tarefas forem executadas em paralelo, por mais de um profissional, a escolha óbvia é dois ou três estações de trabalho configuradas para cada tarefa. Afinal ninguém está livre de um surto de energia, uma falha de hardware ou paradas para manutenção. E nessa hora, dois pássaros na mão é melhor do que um voando.







segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A ilusão do notebook novo... cuidado com a troca.

Todo mundo pensa em trocar seu notebook quando ele começa a demorar demais para iniciar o sistema operacional ou abrir programas e arquivos. Achando que o computador se tornou lento por ser velho e estar ultrapassado, e que não tem mais espaço para guardar aquela montanha de documentos, fotos e vídeos que foram crescendo com o tempo, tentam resolver o problema passeando nas lojas de departamentos, babando com os modelos mais recentes e sonhando em aposentar o velho amigo.

A grande maioria, sem conhecimento técnico suficiente, acaba caindo na lábia de vendedores inescrupulosos que querem apenas empurrar o produto mais sofisticado para o cliente desavisado. A troca acaba saindo cara e pior que isso, muitas vezes o comprador leva para casa um modelo com características desnecessárias para o uso pretendido e ainda descobre que a internet continua inexplicavelmente lenta e o desempenho geral, para uma série de aplicativos, não mudou na mesma proporção do investimento realizado.

No caso de um Macbook da Apple, a diferença entre um modelo 2011 com processador Core i7, para um modelo 2008 com Core 2 Duo, pode chegar a absurdos quatro mil reais! Isso considerando a possibilidade de vender o antigo e usar o dinheiro para ajudar na compra do novo. Na maioria das vezes o computador antigo não é nem vendido. Geralmente é doado para algum membro da família ou mesmo para alguma instituição carente - ação muito louvável e cidadã - mas que não deixa de causar certo prejuízo ao bolso.

Então será mesmo necessário investir milhares de reais, na compra de um computador novo, para a maioria dos usuários de desktops ou notebooks? É possível melhorar o desempenho de computadores com 2, 3 ou mesmo 5 anos de uso investindo um valor menor do que o necessário para a troca de todo o equipamento? Eu diria que, para a grande maioria dos usuários de computadores pessoais, onde o equipamento desempenha tarefas de edição de textos, criação de planilhas matemáticas, criação de apresentações tipo PowerPoint, navegação na web e nas redes sociais e leitura de e-mails, a troca é quase sempre equivocada e desnecessária. E o investimento em modelos mais novos e muito mais caros, jamais se pagará ou justificará.

Vamos tentar entender alguns mitos relacionados a desempenho de computadores pessoais. Para facilitar a explanação vou abordar primeiro os problemas relacionados com a lentidão geral do equipamento, que na maioria das vezes é percebida pelo usuário como um defeito causado pelo tempo de uso ou desgaste do computador. Depois abordarei a questão do desempenho, essa sim, em grande parte, diretamente ligada a idade dos componentes de hardware ou software.

Ao usarmos pela primeira vez um novo modelo de notebook ou PC, inevitavelmente comparamos seu desempenho usando a experiência anterior adquirida em outros equipamentos. Seja em casa ou no trabalho, usamos um determinado equipamento e nos acostumamos com ele. Então ao recebermos um computador novo no trabalho, ao usarmos um notebook recém lançado, que um amigo comprou ou comprarmos um computador novo para nossa casa, notamos grandes diferenças. E imediatamente passamos a achar que determinado modelo parece uma carroça comparado com outro mais novo. Um outro sentimento comum é de que o equipamento, que quando recém tirado da caixa era um foguete, com o passar dos meses de uso, já não nos impressiona tanto, chegando mesmo ao ponto de dar umas travadinhas como o seu antecessor.

Isso acontece, principalmente por dois motivos, excesso de programas e aplicativos instalados, muitos inclusive gerando conflitos com o sistema operacional e programas antivírus e, em segundo lugar, por falta de espaço no disco rígido, depois de zilhões de fotos, vídeos e outras bugigangas que vão entupindo o HD. Então, o sistema operacional e os seus programas preferidos que abriam rapidamente, quando o computador era novo e tinha espaço suficiente no disco rígido, passam a levar uma eternidade para iniciarem. A maioria dos programas destinados aos usuários médios, como editores de textos e planilhas, navegadores web e programas de e-mail, não se tornaram tão mais complexos e pesados com o passar dos anos. Há casos em que até ficaram mais leves e rápidos.

Esses programas, por si sós, não justificariam o aumento da capacidade de computação experimentada, no mesmo período, pelos componentes de hardware. O desenvolvimento dos games, dos aplicativos para manipular imagens, áudio e vídeo e programas mais específicos para computação gráfica e simulação matemática, foram os grandes responsáveis pelo desenvolvimento de computadores mais potentes e velozes. Mas são programas específicos utilizados por uma parcela bem menor de pessoas e instalados quase sempre em estações de trabalho profissionais.

O uso de um computador com processador de última geração não vai fazer muito por sua experiência de navegação na web, por exemplo. A velocidade de abertura de sites e aplicativos online depende muito mais da velocidade de sua conexão com a rede e com a capacidade do servidor onde o site esteja hospedado, do que com a capacidade de sua máquina. Um documento do Microsoft Word contendo muitas páginas com planilhas, gráficos e imagens, não vai abrir mais rápido em um notebook com processador mais avançado, do que abriria no seu velho desktop se o disco rígido estiver lotado.

Precisamos entender que existem atividades em um computador que não estão ligadas diretamente a capacidade de processamento, ou melhor dizendo, ao uso do processador. Alguns documentos ou programas necessitam muitas vezes uma maior capacidade de leitura e alocação na memória de grandes quantidades de dados. E isso está ligado mais diretamente a capacidade do disco rígido em ler esses dados do que processar, efetuando cálculos numéricos e outras variáveis, usando a CPU.

Então para a maioria dos arquivos que utilizamos no dia-a-dia, um computador com uma capacidade adequada de armazenamento, um disco rígido veloz e uma razoável quantidade de memória RAM, é mais que suficiente para nos atender com rapidez e qualidade.

Então chegamos ao ponto principal desse artigo: Trocar ou não trocar seu computador? Se você se encaixa no perfil de usuário mediano, que usa o notebook para tarefas cotidianas, eu diria que não. Basta você trocar o HD velho por um mais rápido e com maior velocidade e talvez instalar mais 2 Gb de memória RAM para voltar a ter aquela relação apaixonada com seu velho companheiro. Aproveitar essa troca para reinstalar o sistema operacional, atualizar os drivers e principalmente deletar programas que não usa mais e fazer uma faxina geral em seus arquivos. Talvez passar para um disco rígido externo, documentos, fotos, vídeos e demais arquivos que não são mais tão usados. Com esses procedimentos simples e investindo pouco dinheiro em peças novas, você terá um computador excelente em mãos.

Agora, se você é um usuário avançado, que necessita rodar aplicativos mais pesados, como jogos e programas de manipulação de vídeo, sons e imagens do tipo semiprofissional, talvez necessite trocar também sua placa de vídeo. Nesse caso, são poucos os modelos que permitem essa troca, pois geralmente as placas de vídeo, mesmo as dedicadas, são soldadas na placa mãe e não podem ser substituídas. Agora se vc tem a sorte de ter um modelo mais avançado, onde a placa de vídeo está instalada em um slot interno, talvez a troca possa ser feita. Mas nesses casos é melhor mesmo trocar o note por outro mais novo e vender o antigo, pois se for um modelo tão avançado assim, certamente não faltarão compradores interessados.

Finalmente, voltando ao exemplo dado no início desse artigo - a troca de um Macbook Core 2 Duo com 3 anos de uso - que pode representar um gasto extra de R$ 3 a 4 mil reais, caso você consiga vender o equipamento antigo por, digamos, R$ 1.000,00., o desempenho do seu Mac novo, para os programas e atividades citadas anteriormente, não vai melhorar significativamente. E por outro lado, com um investimento de R$ 800 a R$ 1 mil reais, você pode turbinar seu note usado deixando-o até mais rápido que um modelo novo, para grande parte dos programas mais comuns. Isso porque são poucos os notebooks novos que já estão vindo com HDD de estado sólido Esse custo está incluindo um SSDHD de 120 Gb, instalação de mais 2 Gb de RAM e atualização do sistema operacional.

Então na hora de trocar seu equipamento existente, por outro novo, fique atento e procure pensar racionalmente. Analise, dentro de uma perspectiva de dois ou três anos, o uso pretendido para o novo computador e faça as contas. Afinal dinheiro ainda não está nascendo em árvores ou enviado via e-mail pelo seu melhor amigo!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Receita de bolo de fubá...


imagem do site matraqueando.com.br


Gente, não tem coisa mais brasileira e caipira (sem ofensa) do que um bom bolo de fubá de milho. Vai bem com um café passado na hora. É ótimo com guaraná ou mesmo com leite gelado. Alimenta, é saudável e fácil de fazer. Não precisa inventar, colocar outros ingredientes além de ovo, farinha, manteiga fubá e açúcar. Não precisa de cobertura nem  frescura.

Mesma coisa acontece com produção de vídeo. Tem que ser honesta e simples como um bom bolo de milho. Então lá vai, a pedido de vários espectadores, que me mandaram e-mails, cartas e sinais de fumaça.

Qual câmera eu compro?

A que couber em seu orçamento! Não adianta comprar uma câmera de R$ 25 mil e estourar sua conta bancaria. Lembre-se que faltam os microfones, um bom tripé e uma luz descente!

Então escolha uma câmera intermediária de R$ 12 mil e seja feliz! Tem ótimos modelos nessa faixa de preço: Sony HVR-Z7, Z5 e NX5, Panasonic AGHMC-150, AGHPX-170 ou mesmo uma HVX200, Canon XF-105 e XF-300. Todas custando entre US$ 5.000 ou US$ 6.000.

Todas dão conta do recado quando o assunto é vídeo social, institucional, comerciais de tv genéricos  e gravação de eventos ao vivo. É só saber extrair todo o suco delas!

Sony é melhor que Panasonic ou Canon?

Todas são marcas excelentes.  Algumas tem melhor rede de revendas autorizadas,  suporte técnico mais fácil e maior facilidade de revenda na hora da atualização por novos modelos.

Mas aqui não tem jeito. Vou ter que quebrar os ovos para fazer a omelete: em todos os quesitos citados a Sony ganha com vantagem. Que me perdoem as concorrentes. É fato.

Mas lembre-se: em termos de qualidade de imagem todas são excelentes. Então se tiver preferencia por uma marca ou oportunidade de um bom negócio, vá em frente.

Mas lembre-se: se vai começar seu negócio com 2 ou mais câmeras,  compre todas de uma mesma marca se não quiser gastar horas na ilha de edição para corrigir gama, contraste e saturação. Cada marca tem suas características.

Mais uma dica: Sony e Canon se equivalem em termos de temperatura de cor e qualidade de compressão de imagem, pois a Canon usa a mesma tecnologia da Sony. Panasonic tem um visual mais fílmico.

Se você pretende trabalhar com documentários e curta-metragens vá de Panasonic  por conta da temperatura de cor e da possibilidade de taxa de frames variáveis, mesmo em modelos intermediários. Você não imagina o que uma boa e velha HVX200 pode fazer !

E para editar?

Aqui eu me posiciono e assino em baixo! Meu computador preferido é Macbook Pro... para ler meus e-mails!

Para edição de vídeo é PC, Windows 7, 64 bits, Core i7 Segunda Geração e Adobe Premiere Pro CS5. O resto é dor de cabeça, gasto desnecessário de dinheiro e perda de tempo. Se quiser conhecer mais sobre o tema, assista os diversos vídeos que postei sobre o assunto aqui no blog.

Mas é qualquer computador? Não! Se seu orçamento é R$ 20.000,00, gaste onze na câmera, sete na ilha de edição e torre o troco com um bom tripé e um bom microfone direcional. Dá certinho. E você vai poder fazer um trabalho irretocável.

E o restante?

O restante é um jogo com 3 iluminadores descentes, um monitor confiável de referencia e seu talento. E estudar, estudar, estudar! Ler muito sobre equipamentos e técnicas, experimentar ângulos novos, luz e sombras, bons enquadramentos. Ou seja: filmar muito. Mesmo que esteja sem serviço, deixe a preguiça de lado e leve sua câmera para passear. Filme tudo. E assista com olhar crítico o que você produziu. Se não gostou, vá lá e faça de novo. É assim que se aprende. Se tiver dúvidas faça como eu, pergunte! Não tenha vergonha de dizer que não sabe e quer aprender.

Está aí amigos o lanche da tarde bem servido com cafezinho passado na hora e bolo de fubá quentinho.