31/01/2012

Agora foi a vez da JVC criar polêmica e novidade!


É como diz a cultura popular: Não tropeça, senão a fila anda! E as coisas no mercado de vídeo comercial andam mais depressa ainda. Parece mesmo que aos empurrões. Eu já havia noticiado aqui em, novembro passado, o lançamento da revolucionária câmera C-300 da Canon. O título da matéria foi: A Canon fez de novo! E quem ri por último, ri melhor! Pelo menos por um tempo! A matéria foi uma das mais lidas aqui do blog. Até me surpreendeu. Prova de que nosso mercado está sempre ávido por novidades. Agora foi a vez da JVC rir por último, pelo menos até o próximo lançamento. 

Tá reclamando de editar em HD? Que tal 4 vezes maior? Prepare-se para o formato 4K!



Se ainda nem acostumamos com o formato HD 1920 x 1080, imagine editar em UHD 4480 x 1920 com compressão 20:1 e em arquivo RAW. O formato R3D tende a se tornar um dos novos padrões para cinema digital e comerciais de tV mais sofisticados. Se depender dos japoneses, a turma do Sol Nascente estará assistindo TV aberta no novo formato já em 2016. A fila anda!

Mas não é para assustar. Com as mesmas tecnologias que hoje já temos para editar com facilidade o AVCH e o 2K e uma estação de trabalho um pouco mais musculosa fica fácil. Eu já estou em testes com um protótipo, que aparece nesse vídeo e está quase perfeito.

Agora em abril a JVC começara as vendas da nova câmera no formato 4K para o segmento de pequenas e médias produtoras. O preço estimado será semelhante aos atuais modelos mais populares com a Sony HXR-NX5 e Panasonic AG-160, ou seja, cerca de US$ 4.900,00. Confira a matéria aqui no blog clicando no link abaixo:


http://olharmultimidiatec.blogspot.com/2012/01/agora-foi-vez-da-jvc-criar-polemica-e.html

Grande abraço a todos!

Marcelo Ruiz

29/01/2012

Organize e racionalize seu fluxo de trabalho de edição de vídeo e obtenha melhores resultados e rapidez no processo.

Possuindo ou não uma workstation top ou usando um computador mais modesto, você sempre obterá mais vantagens e terá menos dores de cabeça organizando seu fluxo de trabalho e racionalizando as tarefas no processo de edição.

Misturar bananas, melancias e laranjas com casca e tudo dentro do mixer e bater não vai te dar um suco de frutas agradável. Você imagina que ganhará tempo, mas no fim terá um produto que, mesmo tendo as propriedades benéficas do suco bem preparado, será difícil de saborear.

O processo de edição de um vídeo, qualquer que seja sua finalidade, tamanho ou características passa por etapas bem distintas. Cada uma visando a preparação do seu material bruto para a etapa seguinte. Pular ou adiantar uma etapa certamente lhe trará dores de cabeça e prejudicará a qualidade do trabalho final.

28/01/2012

Qual o preço justo para você e seu cliente a ser cobrado por uma produção?

Esse  é o grande dilema que todos nós lutamos para resolver quando recebemos um pedido de orçamento. Não importa se você é um profissional autônomo devidamente regularizado , proprietário ou sócio de uma pequena, média ou grande produtora de vídeo.

Se você é uma pessoa ética e profissional consciente de suas responsabilidades com a sociedade e seu país, buscará sempre o lucro em seus negócios porque essa é a função de um empreendimento. Mas também é responsabilidade do seu negócio gerar benefícios para a comunidade.

26/01/2012

O pedido de concordata da Kodak e o futuro da película cinematográfica.

O futuro da película cinematográfica já estava decidido mesmo antes do pedido de concordata preventiva da Kodak. Uma grande parcela dos diretores de cinema da geração X e mesmo nascidos antes da Segunda Guerra Mundial já se posicionam a favor do cinema digital. Mesmo aqueles que se mostravam céticos no inicio da era digital no cinema, se declaram apaixonados pelo novo formato após alguma experiência com a captação digital de imagens.

O flagelo da indústria audiovisual nacional e o descaso do estado.

As recentes medidas tomadas pela Ancine na tentativa de “proteger” o mercado de produtoras nacionais soa mais como um tiro na água ou o canto do cisne. As mudanças ocorreram, como está se tornando comum no Brasil, sem consulta à classe. A Instrução Normativa número 95/2011 (IN 95/11), publicada ao apagar das luzes do ano que passou, corrigiu os valores da taxa de registro de obras audiovisuais (Codecine) em percentuais elevados.

As obras publicitárias produzidas e filmadas no exterior passam a pagar até R$ 200.000,00 para serem veiculadas em todos os meios de comunicação. Se for apenas em televisão aberta, a taxa cai para R$ 166.670,00. Enquanto a mesma obra produzida e gravada no Brasil pagará respectivos R$ 3.570,00 e R$ 2. 380,00. Os novos valores, bem mais altos que os anteriores, segundo a Ancine, visam estimular a produção publicitária brasileira.

É obvio que ouve chiadeira por parte das agências de publicidade. Ainda mais que estas foram excluídas do cadastro da Ancine e não podem mais registrar obras audiovisuais a menos que apresentem como atividade econômica principal ou secundária em sua constituição perante a Receita Federal as seguintes atividades: produção cinematográfica e de programas de televisão, produção de filmes para publicidade, serviços de dublagem, atividades de pós-produção, atividades de gravação de som e edição de música, atividades de programação e atividades de televisão aberta.

Teoricamente a partir da publicação da medida, as agências de publicidade passariam a ter que, obrigatoriamente, contratar produtoras de vídeo para realizar os comerciais para tv. Eu digo teoricamente porque na prática podem recorrer ao artifício de solicitarem as produtoras o registro das obras produzidas por elas mesmas ou por terceiros, inclusive no exterior. Isso já vinha sendo prática comum porque nem todas as agências, quando era ainda permitido, possuíam cadastro na Ancine.

O aumento das taxas, inclusive para produções nacionais, que subiram de R$ 100,00 para R$ 2.380,00 foi também uma forma confortável de criar caixa para atender a outra lei, sancionada pela Presidente Dilma Rousseff, no final de 2011, visando regulamentar as atividades das televisões a cabo. A lei No 12.485, de 12 de setembro de 2011, conhecida como lei do cabo, criou, entre outras definições, a figura da produtora brasileira independente e determinou que 40% da arrecadação da Codecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), administrada pela Ancine, seja destinada para o fomento da produção de conteúdo nacional por produtoras brasileiras.

Segundo o texto da lei, no mínimo, 30% (trinta por cento) da verba deve ser destinada a produtoras brasileiras estabelecidas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, nos critérios e condições estabelecidos pela Agência Nacional do Cinema - Ancine, que deverão incluir, entre outros, o local da produção da obra audiovisual, a residência de artistas e técnicos envolvidos na produção e a contratação, na região, de serviços técnicos a ela vinculados.

E que também um mínimo, 10% (dez por cento) da arrecadação seja destinada ao fomento da produção de conteúdo audiovisual independente veiculado primeiramente nos canais comunitários, universitários e de programadoras brasileiras independentes de que trata a lei que dispõe sobre a comunicação audiovisual de acesso condicionado.

É evidente que alguns empresários da indústria cinematográfica nacional, acostumados desde sempre a contar com as benesses do apoio oficial dos fundos de apoio a cultura e de parte das verbas da Codecine, para realizar produções muitas vezes questionáveis, ou mesmos não realiza-las embolsando o dinheiro público, como foi o caso de Chatô, o Rei do Brasil do Guilherme Fontes, que nunc saiu da moviola, não gostaram nem um pouco de repartir o bolo com os nanicos.

A saída mais que óbvia, como sempre acontece por aqui, foi aumentar o imposto. Com isso um simples comercial de cartela para o varejo, que em um regime de quase escravidão imposto pelas agências de publicidade, eram produzidos por preços médios de menos de R$ 1.000,00 por pequenas e médias produtoras de vídeo, vão pagar acachapantes R$ 2.380,00 para poderem ser veiculados em praças com mais de 1 milhão de habitantes.

Isso vai inviabilizar a produção dessas propagandas, que na maioria dos casos são solicitadas por micro, pequenas e médias empresas. Em algumas praças, dependendo do porte da emissora e do número de telespectadores atingidos, o valor da taxa poderá ser até maior que o custo de veiculação do comercial. Certamente essas pequenas empresas vão buscar outros meios para anunciar seus produtos, como o rádio, outdoors e mesmo o carro da pamonha. Os dois últimos contribuindo para poluir ainda mais os espaços públicos e a audição dos cidadãos.

O aumento de preço de registro dos comerciais estrangeiros ou brasileiros filmados no exterior, como forma de inibir essa prática, também é uma medida questionável e incerta, já que o custo dos vídeos publicitários desses grandes anunciantes que importam suas propagandas, fica na casa dos milhões de dólares e dificilmente um acréscimo de R$ 200 mil reais vai força-los a gastar mais outro milhão de dólares para refilmar no Brasil filmes comerciais de produtos globais, cujos custos de produção já foram pagos pelos resultados comerciais obtidos com sua exibição em seus países de origem.

Afinal não é caro pagar R$ 166.770,00 para exibir na tv brasileira reclames comerciais inclusive premiados em Cannes e com custos de produção que muitas vezes superam o orçamento de filmes longa metragens nacionais. Por outro lado o comercial de baixíssimo orçamento vai pagar mais de taxa que o valor de sua produção. Bela forma de incentivar a produção nacional.

Vamos ver também se o tal fundo de apoio as produtoras nacionais independentes vai mesmo chegar ao seu destino. Não será dinheiro pouco como diz a linguagem popular, pois a arrecadação total da Codecine vai aumentar muito em função dos novos valores cobrados dos anunciantes.

O fato é que a indústria cinematográfica e televisiva (obviamente a produção independente regional) nunca andou bem de saúde. Sempre dependeu de financiamentos públicos ou do altruísmo de alguns realizadores, que colocavam dinheiro que não tinham, muitas vezes vendendo o próprio patrimônio familiar, para realizarem suas obras.

Ao contrário de países como os Estados Unidos, onde produção cinematográfica é um negócio exclusivamente privado, inclusive com participação expressiva nas bolsas de valores, a produção audiovisual brasileira sempre andou com o pires na mão e vivendo de favores. Um dos mecanismos de viabilização do cinema nos EUA é a produção de comerciais para televisão. Lá a atividade emprega quase 70% da mão-de-obra da indústria cinematográfica, funcionando como um colchão de amortecimento nos períodos de entressafra dos lançamentos dos blockbusters e mesmo em momentos de crise nas bilheterias.

Aqui no Brasil esses mecanismo é quase inexistente, com meia dúzia de produtoras que controlam quase toda a produção nacional de filmes para cinema produzindo a maioria das grandes campanhas de propaganda para tv, sendo elas privadas ou públicas. As pequenas produtoras independentes, que poderiam realizar obras cinematográficas com temática regional, não o fazem por falta de verbas públicas, interesse de investimento privado e por não conseguirem lucar o suficiente com a produção de comerciais de tv.

A quase totalidade das propagandas que auferem lucro suficiente para ter uma sobra dedicada a financiar longa-metragens está na mão de meia dúzia de produtoras. Até mesmo a propaganda oficial do governo, negócio que alcança a casa do bilhão de reais, é mal distribuída. Ou melhor dizendo, irregularmente distribuída, já que trata-se de dinheiro público arrecadado do contribuinte, que não é alvo de licitação púbica para sua realização.

Os próprios órgão governamentais usam o artifício de licitarem apenas agências de propaganda para realizarem os comerciais institucionais para televisão e rádio. Isso para não falar da propaganda impressa. Licitam regularmente as agências – e mesmo assim ainda com falta de lisura – como mostram os casos da contratação da SMB do administrador do mensalão federal Marcos Valério, que não satisfeito e nem preso e julgado, anda ainda fazendo estragos ao erário público com fraudes em títulos de garantia de dívidas tributárias baseados em escrituras falsas de terras griladas, como também o recente caso do mensalão do Distrito Federal, do ex-governador Arruda, que também teve o envolvimento de uma produtora de vídeo, caso que ainda está sendo investigado, chamada AB Produções, do senhor Abdon Bucar, que continua fazendo negócios com o governo distrital, bastando para isso ter trocado a placa na fachada de sua empresa sob investigação, para Canto Cerrado Filmes.

O fato é que as verbas destinadas a publicidade do governo federal são livremente administradas e usadas ao bel prazer das agencias de publicidades vencedoras das licitações para escolha das agências que cuidarão das contas dos diversos órgãos públicos. O que não fica claro é que essas agências ganharam o direito de planejar e criar as propagandas oficiais e não de pagar indiretamente com o dinheiro público as empresas produtoras das peças criadas. Trata-se de uma verdadeira farra onde as emitem as notas fiscais contra as agências que depois cobram esse valor, acrescentado do famoso BO (bônus de veiculação) do governo. Isso é claramente um desrespeito a Lei de Licitações e a boa prática da administração pública.

Como resultado dessa prática, apenas um punhado de agraciados produz regularmente a quase totalidade dos vídeos publicitários do governo. As pequenas produtoras não tem acesso a esse filão, ou se participam do botim, é roendo as sobras, os ossos da terceirização paga a valores escorchantes para realização do que não interessa aos grandes felinos.

A verdade é que as produtoras independentes, geralmente pequenas ou micro empresas, sobrevivem de pequenos vídeos institucionais, que pela natureza, não são considerados propaganda institucional e portanto não vão para as grandes produtoras e nem são coordenados pelas agência detentoras das contas de publicidade e responsáveis pelo padronização da comunicação do órgão requisitante. Até deveriam ser supervisionadas, para garantir uma uniformidade na comunicação pública e a qualidade dos produtos recebidos. Além dessa pequena parcela de trabalhos prestados ao governo, complementam seus ganhos com comerciais de baixo orçamento para o varejo e mesmo registro de eventos sociais como casamentos, formaturas e filmagem de eventos empresariais.

Mesmo os serviços prestados aos órgãos públicos, como vídeos institucionais, vídeos de treinamento para o público interno e externo, conteúdo informativo geralmente veiculado nos sítios oficiais e registro de eventos e solenidades é remunerado como valores obscenos. Porque não há termos mais adequado para descrever o valor pago pelo governo através de licitações presenciais ou por meio eletrônico. O que se vê nesses certames é uma disputa patética, desleal e mesmo temerária por parte de empresas desesperadas por conseguir algum trabalho, muitas vezes despreparadas para realiza-los e ainda por outras não idôneas e inescrupulosas, que vêm nessas oportunidades um meio de ganhar um dinheiro fácil entregando trabalhos de péssima qualidade.

Do outro lado vemos os pregoeiros dos órgãos públicos licitantes de mãos amarradas pela Lei de Licitações – que ao obrigar ao critério do menor preço, sem levar em conta a aquisição de um lote de papel higiênico ou uma obra audiovisual – os obriga a aceitar ofertas visivelmente abaixo do preço justo e factível, que os fazem perceber de antemão que receberão um produto de péssima qualidade. Muitas vezes já conhecem o participante de outros certames realizados. Sabem que irão ter problemas e receberão trabalhos sofríveis, mas não podem fazer nada, não estando a empresa ofertante impedida de participar do certame.

Como a atividade de produção de vídeos utiliza profissionais que são sindicalizados (radialistas) e que tem seus salários protegidos por pisos mínimos, no próprio desenrolar dessas licitações, com ofertas sendo dadas com valores cada vez menores, se percebe que o vencedor não poderá honrar os compromissos legais em relação a salários, recolhimentos de tributos sobre a folha de pagamento, arcar com os custos de produção e ainda obter um lucro mínimo. Mas tudo isso não é levado em conta e o vencedor acaba contratando profissionais de maneira irregular, pagando salários abaixo do piso estipulado, usando recursos materiais e técnicos de baixa qualidade, para no final poder lucrar com o trabalho executado.

Dessa forma o mercado audiovisual brasileiro não se desenvolve. Ao contrário, cada vez se banaliza mais e perde qualidade. Os equipamentos e profissionais de cinema e televisão tem custos elevados. Trata-se de mão-de-obra especializada que necessita usar e ter acesso a equipamentos quase todos importados. Grande parte desses equipamentos, apesar de não serem produzidos no Brasil, tem uma carga de impostos alta, inclusive o imposto de importação, que teria a função de proteger a indústria nacional e é totalmente ineficaz nesse sentido, já que quase nenhum item possui fabricação ou tecnologia nacional.

Esses altos custos de importação acabam levando as produtoras a importar irregularmente os equipamentos necessários às suas atividades. Além de deixarem de recolher impostos, ainda ficam sujeitos a perdas pela fiscalização e por furtos e acidentes durante as filmagens, principalmente em externas. As seguradoras desse tipo de equipamentos – e poucas atuam nessa área no país – se recusam a fazer seguro de equipamentos sem nota fiscal, restando as produtoras correrem os riscos por sua conta e arcarem com os prejuízos sozinhas. Existem casos em que a simples perda de um microfone especial, por roubo, furto ou acidente, causa um prejuízo maior que o custo total do trabalho.

O mercado cinematográfico e televisivo é altamente especializado, está em constante aprimoramento e evolui rapidamente. Enquanto em muitos países já se testam sistemas de televisão em formato de ultra definição, aqui no Brasil ainda migramos do sistema analógico de baixa definição (SD) para o de HDTV. Muitas produtoras pequenas sequer conseguiram comprar uma câmera de alta definição debaixo custo. Na área de cinema já se fala, no exterior, em adotar o cinema digital em um novo formato, que superará a qualidade da película convencional, tida por muitos diretores desinformados como o máximo em qualidade.

Ao final desse ano serão exibidos os primeiros longa-metragem em taxas de quadro ou cadência superior aos 24 frames por segundo que a mais de 100 anos foi padrão no cinema. Os produtores estão percebendo que perdem público para o vídeo doméstico de alta definição, capaz de exibir cenas de movimento com mais fluidez e nitidez que o mesmo filme exibido no cinema.

E depois escutamos dos espectadores e críticos de cinema que as produções brasileiras não tem a qualidade e os fantásticos recursos de computação gráfica exibidos nos filmes estrangeiros. São raros os filmes nacionais que conseguem levar mais público as salas que seus similares importados. Em termos de bilheteria a percentagem maior é dos filmes estrangeiros, que não deixam aqui os empregos e os impostos incidentes em mão-de-obra e facilidades de produção. Isso sem falar das próprias salas de exibição e distribuidoras que as controlam , quase todas multinacionais.
Sem um investimento sério e planejado, não apenas em capital financeiro, a indústria audiovisual no Brasil vai continuar desaparecendo, com seus diretores, técnicos e artistas migrando aos poucos para o exterior. Se continuar assim além de enlatados importados, que nada dizem ou fazem pela cultura nacional, vamos começar a ver os filmes brasileiros serem produzidos por empresas e profissionais de fora do país.

E não será aumentando taxas de exibição ou dando mais recursos do erário público, retirados de impostos que deveria ir para a cultura e educação em outros projetos de desenvolvimento, que iremos proteger ou melhorar a indústria audiovisual nacional, principalmente a produção regional voltada a disseminação e registro da vasta diversidade cultural desse país.

Monitores para preview com qualidade e preço razoável !


Sempre me perguntam aqui no blog sobre monitores de qualidade para preview de vídeo em suas estações de edição. Aqui no Brasil infelizmente é difícil achar monitores desse tipo em fornecedores de componentes de informática. Restam as opções de monitores broadcast de fornecedores como Sony ou Panasonic. Porém esses monitores tem custo muito elevado para os padrões da maioria das pequenas e médias produtoras de vídeo. Ainda mais quando possuem mais de uma estação de edição.

A solução pode ser o uso de monitores mais baratos porém com qualidade superior aos tradicionais vendidos nas lojas de varejo de produtos de informática e magazines. O ideal é usar um monitor de LED de 22 ou 23 polegadas
de fabricantes como Samsung ou LG, que estão na faixa de R$ 500,00 para exibição da janela de sistema e do programa de edição  e outro melhor para o preview de vídeo do material editado na timeline.

Vou mostrar duas opções com preços médios de R$ 1.300,00 com 23 polegadas. O primeiro deles, e com qualidade superior ao segundo, é o monitor com painel IPS da japonesa EIZO, marca pouco conhecida por aqui, mas fabricante de modelos de alto desempenho para uso médico e broadcast. Trata-se do FORIS FS2332, um monitor para uso doméstico, mas com qualidade superior a maioria dos similares do mercado . ele possui painel IPS retro iluminado por LED com calibração sRGB e compatível com o sensor de calibração de cor da mesma fabricante, que é vendido a parte.



Tipo
IPS
Tamanho
23" / 58 cm (584 mm diagonal)
Resolução nativa
1920 x 1080 (relação de aspecto 16: 9)
Tamanho da tela (H x V)
509.8 x 286.7 mm
Pixel Pitch
0.265 x 0.265 mm
Escala de Cinzas
256 tons (paleta de 1021 tons)
Resolução de cores
16.77 milhões em uma paleta de 1.06 bilhões
ângulo de visão (H / V)
178°, 178°
Brilho (typical)
250 cd/m2
Contraste (typical)
1000:1 (1500:1 com o Contraste Dinâmico)
Tempo de resposta (typical)
6 ms (Cinza-a-cinza)


A marca é difícil de achar no Brasil, mas é possível trazer do exterior, já que seu custo em dólares não ultrapassa o valor máximo de US$ 500,00 para compras por cartão de crédito em sites como o da BHPhoto e Amazon). Para maiores informações é só visitar o site do modelo.

O segundo modelo indicado é vendido no Brasil pela DELL e pode ser comprado pelo telefone ou diretamente no site da empresa. Trata-se do DELL UltraSharp U2311H de 23 polegadas também com painel IPS retro iluminado. As configurações principais são semelhantes ao modelo da EIZO e as especificações podem ser conferidas abaixo.


Tipo
IPS
Tamanho
23" / 58 cm (584 mm diagonal)
Resolução nativa
1920 x 1080 (relação de aspecto 16: 9)
Tamanho da tela (H x V)
509.8 x 286.7 mm
Pixel Pitch
0.265 x 0.265 mm
Escala de Cinzas
256 tons (paleta de 1021 tons)
Resolução de cores
16.77 milhões em uma paleta de 1.06 bilhões
ângulo de visão (H / V)
178°, 178°
Brilho (typical)
300 cd/m2
Contraste (typical)
1000:1 (10000:1 com o Contraste Dinâmico)
Tempo de resposta (typical)
8 ms (Cinza-a-cinza)



A vantagem desse monitor é a assistência técnica no Brasil e a compra em reais diretamente com a DELL através do site de comércio eletrônico. Para conferir a página do produto clique aqui.

Quero deixar claro que não se tratam de monitores profissionais dedicados a edição de vídeo ou fotografias, mas de produtos com maior qualidade que os convencionais. Até mesmo por possuírem painéis IPS, já apresentam uma grande vantagem em termos de angulo de visão, definição de imagens e cores mais próximas das verdadeiras proporcionada pelo preview de vídeo dos programas de edição.

Para quem quer uma solução verdadeiramente profissional com uma quantidade muito maior de recursos de calibração e fidelidade absoluta de cores e estiver disposto a pagar US$ 12.000,00  para ter em sua mesa um EIZO ColorEdge CG245W pode conferir os detalhes dele clicando aqui.





A EIZO também anunciou na CES 2012 o lançamento de um monitor para edição de conteúdo para filmes em 4K que estará disponível a venda a partir do segundo semestre de 2012. O novo modelo DuraVision FDH3601 será vendido pela bagatela de US$ 36.000,00, algo inimaginável para nós mortais da indústria de vídeo brasileira, bem, pelo menos para a maioria de nós...



Você teria coragem de pagar US$ 36.000,00 por um monitor de 36 polegadas? A japonesa EIZO acha que sim e espera alcançar os editores de vídeos para cinema digital 4K.





Grande abraço a todos!


Marcelo Ruiz



25/01/2012

Ultra HDTV 4096 x 2048 60p: em breve na sua sala de estar!



O formato 4K e as novas TVs UHD (Ultra Alta Definição)

Entre os comentários que tenho lido sobre a CES 2012, nos sites especializados, um assunto  tem sido recorrente. O aparente desinteresse dos fabricantes de TV's com o formato 3D e o grande número de modelos UHD (Ultra Hight Definition), com definição quatro vezes superior ao HD exibidos no evento, aponta que o mercado global de entretenimento, através do vídeo doméstico, caminha para a popularização do formato. A NHK, rede estatal de televisão japonesa,  que investe também em pesquisa através do NHK Science & Technical Research Laboratories, tem planos para transmitir no formato já em 2016.

O interesse não é para menos, já que a maioria dos filmes para cinema são rodados em 4K e tem que ser reduzidos, para um quarto dessa resolução, para serem apresentados no sistema HDTV (1920 x 1080) atualmente um uso. Os grandes diretores e estúdios de cinema já não se contentam com o formato 2K  @ 24 fps para rodarem seus filmes. Tem reclamado mais da limitação dos 24 quadros por segundo, principalmente em filmes 3D, do que da resolução da imagem em si, já que os 24 frames por segundo, modelo centenário herdado do cinema em película, não dá a fluidez e definição necessárias as cenas de ação presentes em todos os blockbusters atuais.

Não se trata exatamente de uma novidade, pois as primeiras pesquisas do formato começaram em 2003 pela gigante de comunicação japonesa NHK. Já o padrão 4K (Digital Cinema, 4096 x 1714 pixels, 2:39:1 aspect ratio) existe desde 2007, quando foi lançada a lendária câmera Red One, iniciando a revolução do cinema totalmente digital. A tendência foi seguida pela Sony com o aprimoramento da linha Cine Alta e da Arri com o lançamento da câmera Alexia. Fabricantes de projetores digitais como a Barco, estão presentes em quase todas as salas de cinema do mundo com equipamentos 4K.

Grandes estúdios e seus diretores consagrados, querem agora filmar em 48 quadros, alguns sugerindo até taxas maiores (falam em até 76fps). Segundo eles as TV's de hoje já possuem capacidade para rodar filmes HD em 60P, o que torna as cenas mais fluidas e sem aquele blur nas passagens mais movimentadas. Fabricantes com a Arri, Red Cinema e Panavision já estão produzindo modelos com capacidade para captar 4K a 60 fps. Esperam uma revolução na forma de apresentar os filmes e a possibilidade de lotar as salas  convencionais e em 3D.

No mundo real, se o formato HDTV a 1920 x 1080 já dá dor de cabeça aos editores, imagine algo quatro vezes maior e com o dobro da taxa de frames por segundo. Por enquanto a captação com câmeras 4K ainda é feito a 24fps. E mesmo assim as produtoras de comerciais, que utilizam equipamentos como a Red One ou Scarlet, ainda preferem rodar em 2K ou mesmo em HD.  Reclamam da dificuldade com o tamanho dos arquivos, que além da grande dimensão em pixels, são gravados no formato RAW e compactados em algoritmo Bayer.
Apesar de darem mais flexibilidade ao editor, para correção de primária e secundária de cor e ajustes mais precisos de temperatura de cor e saturação, já que o formato preserva os frames capturados sem modificação no espaço de cor, contraste e balanço de branco. exigem uma capacidade muito maior de processamento das estações de trabalho.

Pensando nisso a Red Digital Cinema fez parcerias com empresas produtoras de software, como a Adobe e Avid, para deixar o Premiere e o Media Composer com suporte nativo ao seu formato R3D. Mas a capacidade das atuais workstations da maioria das produtoras tem dificuldades para rodar nativamente o formato.

Somente sistemas geralmente fechados e proprietários tem capacidade para lidar com esses projetos e arquivos, geralmente só usados em brandes produções cinematográficas. Porém é cada vez mais comum vermos, nos sets de filmagem de comercias hi end,  câmeras Red One e outras captando em 2 ou 4K.  Isso leva a necessidade de boas workstations para um número maior de produtoras, já que não são geralmente os grandes estúdio de cinema que rodam comerciais de tv.

Embora ainda vá demorar alguns anos para que vejamos a tecnologia UHD sendo utilizada em escala global, no mundo real a maioria dos filmes produzidos para salas de exibição e também alguns comerciais de televisão mais sofisticados já são filmados em formato 4K. E a edição desses conteúdos nativamente já está disponível, inclusive no Adobe Premiere, desde a versão CS5, que oferece suporte nativo ao formato .R3D  da Red Cinema, cujo plugin Redcode, presente no Premiere, foi desenvolvido em conjunto com a Adobe e a fabricante do sistema de captação.

Com o lançamento da linha 2012 dos novos processadores da Intel, além da entrada forte e quase absoluta da NVidia no seguimento de processamento por placa gráfica, ficou menos complicado e mais barato produzir as estações de trabalho adequadas. Atentos a esse mercado, iniciamos os testes e pré-produção da nova workstation ESCARLATE - R3D. Os resultados são de entusiasmar até o mais cético dos mac-seguidores, que nunca acreditaram que o PC um dia tomaria a liderança da Apple no campo da edição de vídeo, onde eles reinaram quase absolutos por duas décadas.




A nova estação de trabalho, com lançamento na segunda metade de 2012, é direcionada as produtoras e profissionais autônomos que estejam editando conteúdo 4K ou mesmo 2K para cinema e televisão. Com a nova workstation não é necessário transcodificar os conteúdos nativos em R3D ou editar em arquivos de visualização formato MOV para posterior edição final dos arquivos em definição total.

Os proprietários de estações PROCS5 terão prioridade na encomenda da nova worstation, além de preço diferenciado de compra.

Grande abraço a todos!

Marcelo Ruiz

22/01/2012

Qualidade das lentes, efeito de barril e enquadramento: algumas dicas.

Eu estava vendo algumas fotos de uns amigos em uma rede social e me deparei com uma foto bastante estranha. Nela, as pessoas que estavam nas extremidades do quadro pareciam muito gordas. Como eu as conheço, percebi logo que se tratava do efeito de barril. Baixei a foto, fiz algumas medições e depois alguns ajustes. Mandei de volta para o dono, que obviamente ficou muito desapontado com a câmera recém adquirida em uma viagem ao exterior. Ao escrever algumas explicações e dicas para ele, percebi que o assunto poderia ser interessante para nosso blog.

Toda lente para fotografia, vídeo ou cinema tem algum grau de defeito. Mesmo as marcas mais caras. Não se trata de descaso do fabricante, mas apenas a interferência das leis da física e da ótica. É virtualmente impossível fazer uma lente perfeita. O formato de uma lente, necessário para que ela cumpra seu papel, acaba por desviar a luz e causar aberrações. Essas aberrações podem ser físicas ou cromáticas. Acontecem por conta das impurezas e imperfeições do vidro, que mesmo sendo controladas e existirem em proporções muito pequenas, no processo de fabricação das lentes, acabam por desviar a luz que passa por elas.

Logicamente os fabricantes procuram usar os melhores materiais, as melhores técnicas de fabricação e um rígido controle de qualidade para minimizar esses efeitos e defeitos. Por isso as lentes boas são tão caras. As câmeras profissionais tem lentes melhores que as destinadas ao mercado amador. Mesmo entre as profissionais, há uma grande diferença de qualidade dependendo do modelo. Normalmente as lentes tendem a ser muito mais caras que a própria câmera e podem ser usadas por anos ou mesmo décadas, tal o seu grau de qualidade. ter um bom jogo de lentes é mais importante que comprar o modelo mais caro de câmera.

Veja a foto abaixo. Talvez você não notasse o defeito da distorção de barril e achasse que as duas pessoas a esquerda e a direita nas extremidades da foto tivessem tomado mais chopes do que deviam... :-)  Mas se olhar com bastante atenção vai perceber que as proporções dos corpos do homem e da mulher não condizem com o tamanho de suas cabeças e que no geral a foto parece se alongar desproporcionalmente  a partir de um certo ponto, do centro para as extremidades. As três pessoas que estão mais ao centro, no entanto parecem normais. Isso se deve ao efeito de barril, que tende a curvar a imagem nas extremidades, tal como o formato de uma barrica de madeira.


Esse defeito é muito comum em lentes grande angulares e olho-de-peixe, dada a necessidade de curvatura acentuada da lente para captar um maior angulo de abertura, As lentes das máquinas fotográficas digitais de bolso, que geralmente são minúsculas e quadradas são as que mais mostram essa aberração física. Lentes normais redondas mas de pequeno diâmetro também podem deformar as imagens dessa forma, principalmente quando são de distância focal variável (zoom), principalmente na sua distância focal mínima (modo wide).

Quando se usa uma câmera amadora com essas características e mesmo câmeras profissionais, com lentes de pequeno diâmetro, é manter o motivo principal da foto ou do filme no centro da lente, deixando as bordas enquadrarem apenas o plano de fundo. Algumas câmeras de baixo custo destinadas ao segmento profissional, além das amadoras, como a Panasonic AG-AC7 e a Sony HVR-HD1000, podem apresentar esse problema.

Vendo a imagem a seguir, onde fiz algumas marcações e fiz uma superposição da foto original com a foto corrigida, podemos observar que a região da foto dentro do círculo vermelho, mais ao centro da lente, quase não sofreu o efeito. A região dentro do círculo amarelo, apresenta o efeito de barril, mas dentro de um limite aceitável para uma foto não profissional. O que está além da linha amarela é inaceitável, mesmo para uma foto casual.


Aproveitando a mesma imagem, vamos falar um pouco de outros dois itens igualmente importantes que podem contribuir para aumentar ou minimizar os defeitos de uma lente. Se observarmos a marcação do centro da imagem, veremos que todas as pessoas estão fora desse centro. As três pessoas à esquerda estão na mesma altura e as duas da direita um pouco abaixo. Mas as cinco estão fora do centro da foto. 

A foto foi tirada de cima para baixo, o que contribui para aumentar o tamanho dos quadris e das pernas do homem e da mulher. Essas partes do corpo dos dois acabam ocupando 1/3 de toda a imagem, distraindo nosso olhar para o mais importante: os rostos. E no caso do efeito de barril, uma forma de evitar ou minimizar o problema é procurar usar mais o centro da lente. 

Regra dos terços

Quase todas as câmeras digitais hoje, mesmo as maus baratas, possuem um recurso de colocar no visor ocular e no LCD essas linhas guia. Elas são baseadas na Proporção Áurea e servem para ajudar o fotógrafo a enquadrar os elementos de uma foto. Mesmo algumas filmadoras possuem o recurso da linhas auxiliares da Regra dos Terços. 

Essa regra nos diz que todos os motivos enquadrados no cruzamento de uma linha vertical e outra horizontal será valorizado na foto, tornando a composição naturalmente agradável. Não importa em qual dos quatro pontos escolhidos, embora essa escolha deva ser determinada pelo tipo de foto. Uma pessoa fotografada contra um belo céu azul deve ser colocada nos pontos inferiores para que consigamos mostrar toda a extensão deste e do horizonte. Se há um jardim florido abaixo da pessoa, ela deve ser enquadrada em um dos pontos superiores. Isso depende muito dos elementos que compõe nossa imagem e do tipo de fotografia. 

Notem que na foto acima, nenhum personagem ficou posicionado no encontro das linhas. Somente o copo de chope ao lado da figura feminina ficou mais próximo de um cruzamento e ele acaba chamando nossa atenção mais do que o rosto da moça mais ao fundo ao lado do rapaz. 

Vamos observar agora a foto abaixo. Nela não foi usado nenhum efeito de correção de lentes no Photoshop. Apenas foi usado o recurso de cortar, girar e re-enquadrar a foto usando a regra dos terços.



O defeito causado pela distorção de barril ainda está presente, mas foi minimizado pelo novo enquadramento. A imagem foi ligeiramente rotacionada no sentido anti-horário, o que alinhou as pessoas em relação a linha guia horizontal superior. A mulher em primeiro plano à direita, que antes parecia muito mais baixa do que os demais, está agora mais valorizada.  O rosto do segundo homem está no encontro de duas linhas guia, assim como o da menina ao lado da mulher à direta da foto. O copo de chope está em outro cruzamento de linhas. 

As pernas do casal em primeiro plano foram cortadas, assim como as costas de ambos, que estavam anormalmente grandes pelo efeito de barril. essa nova composição nos mostra o motivo real da foto, que era retratar um grupo de pessoas reunidas em um bar para tomarem alguns drinques e conversar ao redor da mesa com alguns petiscos. 

A foto a seguir mostra outra forma de correção do problema, onde foram usados outros recursos do Photoshop onde quase nada foi perdido em relação a foto original. É um processo bem mais trabalhoso e sem dúvida mais difícil e demorado do que perder algum tempo a mais na hora do enquadramento e posicionamento das pessoas antes de apertamos o botão de disparo.



Vale ressaltar que em uma fotografia única, fica bem mais fácil corrigir o problema. Imaginemos um vídeo com 3 minutos desse mesmo plano. A correção não seria tão perfeita, além de consumir muitas horas de trabalho na ilha de edição. Portanto vale a pena relembrar que fotografia e vídeo são ar artes do enquadramento, da busca da  proporção estética e do cuidado com a composição da cena. Tal qual uma pintura. Aliás... fotografar ou filmar nada mais do que pintar com a luz...

Dica:


Para saber o grau de distorção da lente  de câmera fotográfica ou de uma filmadora, bem como de qualquer outra lente que vá usar em seu equipamento,  basta fotografar uma parede com revestimento cerâmico ou que contenha algum elemento de decoração com linhas retas horizontais e verticais a uma certa distância. Se a lente for de distância focal variável (zoom) tire diversas fotos usando o zoom máximo, o wide máximo e uma posição intermediária. Depois observe a imagem para ver onde estão as zonas mais precisas e as que apresentam maior distorção. Essas zonas não são uniformes. se observarmos a segunda foto deste artigo (com as marcações), veremos que nessa câmera a zona mais precisa está ao centro ( o mais comum e esperado) porem ligeiramente deslocada para a parte  superior da lente.

Grande abraço a todos!

Marcelo Ruiz

21/01/2012

Minha coleção de carrinhos de brinquedo...

Customizando os Pictures Profiles nas câmeras Sony HDV e AVCHD.

O Gilberto da Gfilmes e Produções de Birigui, São Paulo, me enviou uma email com dúvidas sobre ajustes de Picture Profile na câmera Sony NX5. Ele comenta no email que acha a imagem da NX5 muito lavada. Então vamos falar um pouco sobre esse tema. 


A maioria das câmeras profissionais possuem o recurso do Picture Profile. Ou seja, tem em seu menu uma área dedicada onde estão armazenados vários perfis de imagem que podem ser chamados da memória interna para modificar diversas configurações da imagem captada pelas lentes. No caso das câmeras Sony, geralmente há seis perfis numerados de PP1 até PP6.
  1. PP1  Configurações padrão iguais ao modo Picture Profile desligado.
  2. PP2  Configurações padrão iguais ao modo Picture Profile desligado.
  3. PP3  Configurações simulando imagens gravados por uma câmera profissional de ombro com Gamma ITU-109 
  4. PP4  Configurações simulando imagens gravadas por uma handycam profissional com Gamma estilo PD 
  5. PP5  Configurações simulando imagens gravadas como película de cinema colorida
    PP6  Configurações simulando imagens exibidas em tela de cinema com película cinematográfica colorida
Os dois primeiros perfis na NX5 e em outras filmadoras Sony são configurados com o mesmo padrão normal da câmera e não mudam em nada a imagem gravada. Geralmente usamos esses dois perfis para armazenar nossas configurações pessoais. Os demais perfis também podem ser modificados. Para voltar todos os perfis as configurações originais de fábrica, basta dar um reset na câmera. Portanto não tenha medo de fuçar a vontade no sei equipamento. Se perceber que algo ficou errado é só dar um reset.

Das configurações pré salvas na NX5, eu pessoalmente gosto e uso bastante o PP5, que simula o filme cinematográfico. Cores um pouco mais frias, um contraste maior, com ênfase nos pretos mais profundos.

Mas normalmente para gravar os vídeos aqui do blog e outros trabalhos aqui no estúdio eu uso um Picture Profile  que acho muito bonito e que peguei do Keko Sinclair no blog dele, que aliás recomendo a leitura, pois tem muito conteúdo técnico e informativo.

Para que quiser experimentar as configurações são essas:


Opção 01 (Configurado por Keko Sinclair)

NIVEL DE PRETO = 0
GAMMA  = CINEMATONE 1
GAMMA PRETO = FAIXA = MÉDIO
                                  NIVEL = 0
ARTICULAÇÃO = AUTOMÁTICO
MODO COR = TIPO PADRÃO
                          NIVEL 8
NIVEL DE COR = 0
TONALIDADE DE COR = 0
PROFUNDIDADE COR = TUDO 0
AJUSTE WB = FILTRAR TIPO = LB-CC
                           RESTANTE = TUDO 0
DETALHE = NIVEL = -3
                       AJUSTE MANUAL = DESLIGAR
DETALHE TOM PELE = DESLIGAR

Na imagem abaixo estão 3 frames retirados de três vídeos diferentes que fiz com uma Sony HXR-NX5n para servir de exemplo. Na imagem número 1 deixei a câmera totalmente no automático. A imagem fica com o padrão normal da câmera e muitos podem achar um pouco lavada e sem contraste. Pode-se notar também a influência dos raios UV que tendem a modificar os tons de verde e vermelho.

No exemplo 2 configurei, como sempre gosto de trabalhar, a câmera para o modo totalmente manual e usei as seguintes configurações:

Modo de gravação 1080P30
Abertura diafragma 5.6
Obturador 1/60 s
Ganho 0 dB
Balanço de branco 6100K
Filtro DN 3 (1/64)

As cores ficaram mais firmes e o contraste aumentou, além de diminuir a influência dos raios UV. 

Finalmente na imagem 3 usei o Picture Profile 2 da câmera que está com a "receita" do Keko Sinclair. Aqui podemos notar a a valorização da imagem com um acentuado contraste, menos estouro nas altas luzes e as cores mais vivas, quase saturadas. Não há influência dos raios UV. Eu gosto muito desse perfil de ajuste. 





Lembrando que cada profissional acaba encontrando o seu gosto pessoal. E isso se torna quase uma assinatura. Como  em um quadro, onde cada pintor tem sua paleta de cores. O importante é experimentar várias combinações e  níveis de cada parâmetro.  No início reserve o PP1 ou PP2 , que não tem modificação nenhuma para ir criando sua receita, deixando os perfis 3, 4, 5 e 6 com as configurações originais. E sempre que achar que    
desconfigurou demais a imagem, basta desligar o PP ou resetar a câmera que tudo volta ao normal.

Em outro post vou explicar mais detalhadamente a função e a influência na imagem de cada item de um Picture Profile. Vale ressaltar também que as câmeras digitais top de linha usadas nas grandes produções, as cenas são capturadas sem nenhuma modificação pelo equipamento. É o que se chama de arquivo RAW, onde a imagem capturada pelo sensor da câmera é minimamente modificada pelo processamento interno do equipamento. Geralmente os arquivos são salvos em formato JPEG e precisam de um software com capacidade de decodificar esses arquivos. O Photoshop e o Premiere podem trabalhar nativamente com arquivos RAW.



Todo o ajuste de balanço de branco, gama, pedestal, contraste, brilho e conformidade das cores, por exemplo para o perfil RGB é feito durante a edição do material na pós produção. Evidentemente isso gera mais trabalho e um tempo maior de edição. Mas em compensação se consegue imagens com a exata especificação do diretor de fotografia, pensadas para aquela produção. 

Um grande abraço a todos!

Marcelo Ruiz


15/01/2012

Teste rápido com a nova Canon 5D MKII

Já havia algum tempo eu queria fazer um teste de luz aqui no estúdio onde gravo os vídeos aqui do blog com uma câmera Canon 5DMKII comparando com a Sony HVX-NX5n com a qual os programas são capturados. Das 3 coisas que me incomodam um pouco nas câmeras HD de custo inferior a R$ 10.000,00, duas puderam ser testadas e comparadas. Os calcanhares de Aquiles dessas câmeras são a baixa capacidade de gravar com pouca luz, o estreito angulo de abertura das lentes fixas, que dificulta filmagens em locais pequenos e a falta de profundidade de campo.

Como a 5DMKII testada estava com uma lente 18-40 f.4 Canon, não foi possível testar a profundidade de campo em virtude das condições de espaço no nosso micro estúdio. Fica para uma próxima oportunidade. Na imagem abaixo podemos ver as duas câmeras em suas capacidades máximas de grande angular. Uma coisa interessante é que a Sony NX5n, como esperado, mesmo tendo pouca abertura, cria um efeito em barril acentuado, curvando principalmente as linhas retas dos elementos da cena nas bordas da imagem.

Já a 5DMKII mesmo com uma fantástica abertura, quase o dobro da NX5, não introduz efeito em barril na imagem, não criando aquele aspecto olho-de-peixe tão desagradável. Mas vale ressaltar que nas condições extremas que testamos, com pouca distância entre a lente e o motivo, o grande ângulo de abertura acaba criando uma aberração na perspectiva, que de perfeitamente suportável em uma fotografia, fica muito estranha no caso de uma filmagem em movimento. Mas isso foi uma escolha extrema só para compararmos as capacidades dos dois equipamentos.


Mesmo com o pequeno ângulo de abertura a lente G da Sony NX5 introduz uma leve distorção de barril na imagem, incomodando principalmente quando o cenário tem elementos verticais retos. A grande vantagem das câmeras com sensor Super35mm como a 5DMKII, a Sony F3 e outros modelos, é a captura total de toda a imagem gerada pelas lentes sem o fator de corte dos sensores menores. 

Agora vamos ao quesito luminosidade da lente e sensibilidade do sensor de imagem. Uma das coisas que mais gosto nas DSLR que filmam em HD é sua maravilhosa sensibilidade. Mesmo em situações extremas como a que   simulamos no nosso teste, onde todas a iluminação do estúdio foi desligada, permanecendo apenas acesas 2 luzes de serviço fluorescentes luz do dia com 35 watts cada uma, a Canon 5DMKII se saiu razoavelmente bem. A Sony NX5n mesmo com a abertura máxima de lente e velocidade 1/60, porém sem o recurso de usar dB negativo, não consegui captar nada. 

Evidentemente a Canon o fez, mas a custa de subir o ISO, que estava no modo automático para 6500, introduzindo uma granulação aparente na imagem. Granulação que quase sempre está presente nas câmeras de vídeo profissionais de baixo e médio custo em situações de luz até mais favoráveis. Confira o vídeo abaixo.


video


Apesar das limitações de tempo de gravação da 5DMKII (apenas 12 minutos contínuos) essa capacidade para captar cenas com pouca luz pode ser muito interessante em eventos sociais como casamentos,geralmente realizados a noite e com belos momentos para captar imagens dos noivos sem luz artificial. Com a vantagem de fazer também o registro fotográfico do evento. Quem puder ter uma boa câmera de vídeo como a Z5, Z7, NX5, HPX 170 ou 150 e mais uma 5DMKII com certeza estará bem equipado para fazer um excelente trabalho. 

Em breve prometo postar os testes de profundidade de campo com a 5D e outra convencionais. 

Grande abraço a todos!

Marcelo Ruiz


12/01/2012

Seu computador é rápido assim?




Editar AVCHD em uma estação de trabalho rápida assim fica fácil. Se o computador demora para iniciar e carregar programas, certamente vai ter dificuldades com arquivos compactados como o AVCHD.

07/01/2012

Mudanças na Condecine (Contribuição para o desenvolvimento do cinema) para registro de obra audiovisual publicitária.


A Ancine publicou no final de dezembro a Instrução Normativa 95/2011 (IN 95/11), que dispõe sobre o registro de obra audiovisual publicitária e atualiza valores da Condecine. Com a nova regra, as obras publicitárias podem ser brasileiras filmadas ou gravadas no Brasil; brasileiras filmadas ou gravadas no exterior; e estrangeira. Neste último caso, é necessária a adaptação ao idioma local.

Outra novidade se refere à compra de publicidade na TV por assinatura realizada no exterior. A IN 95/11 estabelece que a obra audiovisual publicitária direcionada ao público brasileiro, destinada ao segmento de mercado de Comunicação Eletrônica de Massa por Assinatura, com sua comunicação pública contratada no exterior, deverá ter a intermediação obrigatória de agência de publicidade brasileira.

Um amigo me ligou hoje alarmado com o aumento da taxa para registro na Ancine de comercial para televisão aberta. O valor antigo que era de R$ 100,00 para produções com valor de até R$ 10.000,00 (maioria das propagandas de tv) passou para R$ 2.380,00.

Sem acreditar, ele ligou para a Ancine, que confirmou os novos valores. Trata-se, segundo a Ancine de reajustes nas taxas, que não eram majoradas desde 2001, que foi altíssimo sobretudo para as produções estrangeiras visando limitar seu ingresso no Brasil e como isso proteger as produtoras nacionais.

Veja os valores e serem pago à título de Condecine conforme os segmentos de mercado e a classificação da obra publicitária.

Valores referentes à comunicação pública da obra publicitária estrangeira em:

    Todos os segmentos de mercado - R$ 200 mil
    Radiodifusão de sons e imagens (TV Aberta) - R$ 166.670,00
    Comunicação eletrônica de massa por assinatura - R$ 23.810,00
    Vídeo doméstico - R$ 14.290,00
    Salas de exibição - R$ 14.290,00
    Outros mercados - R$ 2.380,00

Valores referentes à comunicação pública da obra publicitária Brasileira filmada/gravada no exterior em:

    Todos os segmentos de mercado - R$ 28 mil
    Radiodifusão de sons e imagens (TV Aberta) - R$ 20 mil
    Comunicação eletrônica de massa por assinatura - R$ 6 mil
    Vídeo doméstico - R$ 3,5 mil
    Salas de exibição - R$ 3,5 mil
    Outros mercados - R$ 500,00

Valores referentes à comunicação pública da obra publicitária Brasileira filmada/gravada no Brasil em:

    Todos os segmentos de mercado - R$ 3.570,00
    Radiodifusão de sons e imagens (TV Aberta) - R$ 2.380,00
    Comunicação eletrônica de massa por assinatura - R$ 1.190,00
    Vídeo doméstico - R$ 710,00
    Salas de exibição - R$ 710,00
    Outros mercados - R$ 240,00

Vale lembrar que o valor do CONDECINE até o final do ano passado era de R$ 100 para produções de até R$ 10 mil e R$ 1.000, para produções acima de R$ 10.000. No mínimo suspeito este aumento.

Mas é importante lembrar que existem as exceções. Conforme o parágrafo primeiro da resolução publicada estão isentos do pagamento da Condecine os seguintes casos:

XIII -  Obra Audiovisual Publicitária de Caráter Beneficente e/ou Filantrópico: obra audiovisual publicitária sem finalidade lucrativa por parte do anunciante, que divulgue atividade referente ao auxílio aos carentes, sem finalidade lucrativa, notadamente de apoio e proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência, ao idoso, à habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e à promoção de sua reintegração à vida comunitária, inclusive as de cunho educacional e as da área de saúde pública.

XIV - Obra Audiovisual Publicitária de Pequena Veiculação: obra audiovisual publicitária cuja circulação seja restrita a municípios que possuam individualmente no máximo 1 milhão de habitantes, de acordo com os dados do último anuário estatístico do IBGE.

Essa isenção aparece no sexto capítulo que reproduzo a seguir:

Capítulo VI – Das Isenções do Recolhimento da CONDECINE

Art. 28. São isentas do recolhimento da CONDECINE:

I – a obra audiovisual publicitária de pequena veiculação, conforme definição do artigo 1º, inciso XIV desta Instrução Normativa;
II – as chamadas de programas televisivos, conforme definição do artigo 1º, inciso V desta Instrução Normativa, veiculadas nos serviços de radiodifusão de sons e imagens, nos serviços de comunicação eletrônica de massa por assinatura e nos segmentos de mercado de salas de exibição e de vídeo doméstico em qualquer suporte;
III – a publicidade de obras audiovisuais, conforme definição do artigo 1º, inciso XX desta Instrução Normativa, veiculadas nos serviços de radiodifusão de sons e imagens, nos serviços de comunicação eletrônica de massa por assinatura e nos segmentos de mercado de salas de exibição e de vídeo doméstico em qualquer suporte;
IV – a propaganda política, conforme definição do artigo 1º, inciso IX desta Instrução Normativa;
V – a obra audiovisual publicitária brasileira de caráter beneficente/filantrópico, conforme definição do artigo 1º, inciso XIII desta Instrução Normativa;
VI – a versão de obra audiovisual publicitária, conforme definição do artigo 1º, inciso XXXI desta Instrução Normativa;
VII – a obra audiovisual publicitária destinada à exibição exclusiva em mostras e festivais, desde que previamente autorizada pela Ancine; e
VIII – a obra audiovisual publicitária brasileira destinada exclusivamente à exportação ou para inclusão em programação brasileira transmitida para o exterior.

Então vamos ficar atentos para não pagar os famigerados R$ 2.380,00 sem necessidade. O valor da taxa aumentou tanto ( era R$ 100,00 até 31/12/2011) que ficou mais caro que a produção da maioria dos comerciais de varejo tipo “cartelão” que são geralmente usados por pequenos anunciantes em mercados regionais.

Se o canal de televisão aberta onde seu cliente vai veicular o comercial produzido por você for exibi-lo apenas em municípios com menos de 1 milhão de habitantes, você está isento da taxa.

Mas atenção: a Resolução 95/2011 fala de isenção de pagamento e portanto a inscrição da obra no castro da Ancine ainda é obrigatória e deve contar junto com outros dados obrigatórios, da claquete de identificação antes do comercial. Para maiores informações consulte o site da Ancine.

Grande abraço a todos.

Marcelo Ruiz