sábado, 8 de dezembro de 2012

Premiere Pro: Como exportar sem perder a qualidade.




Muitos leitores aqui do blog me escrevem reclamando da perda de qualidade na exportação de seus projetos finalizados. Seja para gerar um disco Bluray ou DVD, exportar para a web ou mesmo arquivar os trabalhos finalizados como um máster para uso futuro. Existe um artigo aqui no blog chamado “Exportação de AVCHD para DVD sem perder muita qualidade. Como fazer?” que eu recomendo enfaticamente que você leia também. Nele eu explico mais alguns macetes para exportar direto para DVD ou BluRay. Então nossos 4 casos principais são:

1 – Exportar para mídia ótica:

Proceder como indicado no artigo que mostrei acima.

2 – Exportar para web (Vimeo, Youtube, Facebook, etc):

A maioria dos sites de hospedagem de vídeo aceitam diversos formatos de vídeo como QuickTime (MOV), Windows Media Player (WMV) e Flash (FLV) e mesmo h.264 (MP4). Então procure, na medida do possível, exportar no formato de seu vídeo original, Se você captou em AVCHD MOV, exporte QuickTime H.264, Se sua câmera grava em HDV (MPG2) exporte em MPG2. Isso evita perda de tempo e de qualidade na transcodificação feita pelo Premiere na hora da exportação.


Mas saiba que cada um desses sites vai transcodificar seu vídeo, após o término do upload, geralmente em formato FLV ou outro para o qual os servidores de vídeo estejam programados. Então não é preciso exportar com uma qualidade superior a qualidade suportada pelos sites de armazenamento de vídeo. Por isso o Premiere, em alguns presets de exportação, já oferece opções prontas para diversos desses sites. Exportar um vídeo com uma taxa de dados de 20 Mbps não vai melhorar a aparência de seu trabalho na web, pois a maioria desses site usa a taxa de dados de 5 Mbps. Exportando em uma taxa maior só vai fazer seu vídeo ficar com um arquivo enorme e demorar mais na subida.

O melhor tipo de arquivo para exportar para esses sites é o h.264, já que quase todas as câmeras atuais trabalham com o AVCHD.

3 – Exportar para criar uma cópia máster para uso futuro:

Porque você deveria exportar um vídeo sem compressão? Antes de mais nada você precisa saber que um vídeo sem compressão sobrecarrega menos o processador, mas em compensação necessita de discos rígidos muito rápidos, por causa do tamanho que eles ocupam no disco. Uma hora de vídeo sem compressão de alta qualidade em HD pode ocupar mais de 1 Terabyte de espaço em um HD e exigir taxas de leitura de mais de 400MB por segundo. Só para comparação, um HD SATA III de 7200 RPM vazio e recém formatado consegue ler no máximo 100MB por segundo. Então é obvio que seu vídeo vai rodar com travamentos ou até não rodar em seu computador.

Para que um vídeo sem compressão rode sem problemas, você precisa, no mínimo um jogo de HD’s em RAID 0  composto por 3 discos agrupados.

E para que serve um vídeo sem compressão? Antes de responder a essa pergunta, eu devo lhe dizer que transformar um vídeo que foi gravado com compressão (por exemplo um AVCHD) e passá-lo para vídeo sem compressão não vai melhorar em nada a qualidade, pois a informação de definição, cor e luminância que foi perdida durante a  compressão não vai retornar.

Mas em certas câmeras, o AVCHD gerado tem uma especificação e qualidade diferente das opções padrão de exportação disponíveis nos softwares de edição. Então a exportação final do seu trabalho pode sofrer degradação se nào for exportada dentro de certos parâmetros. Então o ideal seria captar na câmera sem compressão, mas isso exige equipamentos especiais como gravadores de vídeos externos.

Em certos casos você precisará exportar seu trabalho finalizado para outra empresa ou profissional que vai, por exemplo fazer correção ou modificação de cor ou inserir efeitos de computação gráfica. Geralmente nesses casos essas empresas/profissionais exigem o material em formato sem compressão para este se adequar aos softwares que eles usam e ao padrão do mercado.

Nesses casos, existem diversas opções dependendo da plataforma desejada. Se o caso é exportar para alguém que esteja usando ilhas Mac e o FinalCut Pro, o material pode ser exportado no formato DNxHD (baixando o codec gratuitamente do site da AVID), DPX, Apple ProRes ou Quicktime MOV. Se for para um profissional usando equipamento AVID o material pode ser exportado em DNxHD e se o destino final for para equipamentos baseados em PC e programas como o Premiere da Adobe, o formato pode ser tanto o DNxHD, quanto o AVI sem compressão ou ainda formatos de sequencias de imagens Targa, TIFF ou PNG. Caso o PC baseado em Windows com o Premiere Pro tenha o codec QuickTime Pro (licenciamento pago), este poderá ler e exportar arquivos no formato Apple ProRes.

Mas como se tratam de arquivos muito grandes, eles ocupam, as vezes, mais de um HD de 1 Terabyte e não são a melhor opção para se guardar material. Servem mais para armazenamento temporário para transporte entre est[údios.

4 – Exportar para cópias Master para envio a outras produtoras ou para armazenamento definitivo para edições e correções posteriores:

Chegamos então ao ponto principal de nosso artigo. Na maioria das vezes necessitamos guardar nossos trabalhos para uso futuro, seja porque o cliente pode querer uma versão em HD, tendo pedido inicialmente em DVD, seja porque necessitaremos usar o material em outras ocasiões com manipulação de cor ou criação de efeitos especiais. Ou ainda simplesmente temos que guardar cópias de segurança por força de contrato.

Nesses casos podemos usar formatos com um tipo de compressão menor e mais eficiente. Mas primeiramente devemos ter em mente que a taxa de dados do vídeo com compressão é o principal fator, embora existam outros, como veremos a seguir, para determinar a qualidade e o tamanho do arquivo final. O objetivo de codecs como o h.264 (AVCHD), HDV (mpeg2) ou WMV é obter a melhor relação entre qualidade e tamanho.

Então quanto maior é a taxa de dados, melhor é a qualidade, porém com um arquivo muito grande. Quanto menor é a taxa de dados, pior a qualidade e menor é o arquivo. Outro fator importante é a quantidade de key frames ou frames tipo I (frames que contém toda a informação nele mesmo, sem a necessidade de frames tipo P ou B para complementar a formação da imagem). Esse conjunto de frames é chamado IPB e um conjunto com vários frames IPB é chamado de GOP (Grupo de Frames).

Quanto maior o número de i-frames em um vídeo com compressão, tanto melhor será a qualidade, principalmente em cenas com muitas transições ou movimentação de pessoas e objetos, do material comprimido. Também a ocorrência de artefatos e empobrecimento da cor diminuem.

A taxa de dados pode ser de dois tipos: VBR (taxa de bits variável, onde o codec determina quais trechos do filme deva ter uma bitrate maior, de acordo com a complexidade da cena ou CBR ( taxa de bits constante) onde nós determinamos que taxa de dados fixa todo o filme deve ter. Logicamente vídeos VBR são menores que os vídeos CBR). Nas compactações em VBR podemos ter uma ou duas passadas na hora da codificação. A codificação em dois passes melhora a qualidade do vídeo mas demora mais tempo no processo de render.

Então vamos ver como modificar um preset de exportação padrão do Premiere, para melhorarmos a qualidade de nossos vídeos exportados. Vamos usar como exemplo o codec mais comum atualmente, o h.264. Ao finalizar seu trabalho de edição no Premiere e não querendo enviar o vídeo diretamente para o Encore, através do Adobe Dynamic Link, usamos o comando File>Export>Media.

1) Na janela de Export Settings que se abrirá vamos escolher e modificar o codec h.264 e depois aprender como salvar esse preset modificado para uso futuro. Na caixa Format escolha H.264



2) Próximo passo: Na caixa Preset escolha a opção HD 1080P 29,97



3) Na caixa Output Name escolha o nome e o local onde salvar seu vídeo exportado:


Já nesse ponto você pode observar lá embaixo no final da janela de exportação que o arquivo final estimado terá cerca de 92 MB. E portanto é muito menor que meu arquivo original que media 397 MB ao ser capturado pela câmera. Portanto, se deixássemos com está, a configuração padrão de exportação o arquivo funal exportado perderia qualidade.


4) Então continuando:  Ainda  na aba Vídeo deixamos o tamanho do frame em 1920 x 1080,
a Frame Rate em 29,97 (se for o caso, pois vc pode querer 23,97 se filmou em 24P, ou ainda 60P se filmou em 60 quadros progressivos). O formato de pixel para AVCHD é sempre Square Pixels (1.0),  o formato (TV Standart) deixe em NTSC pois estamos no Brasil. E agora o mais importante: na aba Level, que por padrão nesse preset fica em Main
mude para High, pois somente esse profile permite taxas de dados maiores e compressão com mais i-frames.


5)  Na caixa Level troque do padrão 4.2 para o padrão 5.1:



6) Marque também o box Render at Máximum Deph para permitur que o exporter do Premiere aproveite a profundidade maxima de cores disponível no vídeo original:


7) Agora vamos modificar  os parâmetros de Bitrate Settings. Na caixa Bitrate Encoding vamos excolher VBR, 2 pass para permitir que o programa determine a taxa de dados de acordo com a complexidade da cena e faça isso em 2 passadas, melhorando a precisão da compressão.


Nesse ponto observe que o tamanho final de nosso arquivo a ser exportado já passou para 602 MB. Mas repare na outra seta vermelha. A caixa Key Frame Distance ainda está marcado o valor de 90. Isso significa que teremos poucos i-frames.

8) Como nos queremos que nosso arquivo final seja composto apenas de i-frames, ou seja, de frames que conteham toda a informação de imagem, cor e movimento nele mesmo, vamos mudar esse valor para 1. Vamos marcar também a caixa de seleção Use Maximum Render Quality e deixar desmarcadas as caixas Use Previews e Use Frame Blending, para evitar que o Premiere use os previews de vídeo de baixa qualidade na hora da exportação. E o frame blending, que é mais utilizado em vídeos entrelaçados e visa suavisar as diferenças entre campos ou mesmo entre frames progressivos em passagens de maior movimento, acaba criando um efeito de blur ou sombra indesejável.


8) As configurações da aba Audio podem ficar como estão. 



9)  Na aba Multiplexer podemos deixar a configuração padrão, que é MP4 se quizermos que nosso vídeo final seja um arquivo *.mp4 com o áudio inclluso na corrente de vídeo. 



Se  futuramente  houver a pretenção de exportar para um disco BluRay pelo Encore é melhor escolher a opção None que vai criar dois fluxos distintos de vídeo e imagem. O vídeo terá a extensão *.m4v e o áudio o formato *.aac e isso é particularmente útil, já que o Encore CS6 pode travar durante a renderização, dando uma mensagem de erro avisando que não encontrou um arquivo de vídeo. Isso acontece porque o Encore renderiza primeiro o áudio e depois o vídeo e apaga o arquivo temporário exportado pelo Dynamic Link que continha vídeo e áudio unificados. Esse processo de união de audio e vídeo em uma única corrente ou stream, para quem não sabe, se chama multiplexação. E o processo inverso de extrair o áudio de um vídeo multiplexado geralmente é chamado de demux.

10)  Agora estamos prontos para exportar o nosso arquivo. Mas antes disso, vamos salvar o preset recém-criado para que não precisemos configurar tudo novamente na próxima utilização. Basta clicar no ícone Save Preset e na janela que se abrirá, escolher um nome para o novo preset criado por você.  Escolha um nome, usando palavras curtas, mas que indique, da proxima vez que for utilizado, as características básicas.


11) Quando for necessário chamar o preset criado e salvo, basta clicar na caixa Format
 H.264 e no topo da lista de opções aparecerão todos os presets salvos para aquele formato. Note que se você escolher outra opção como Mpeg2, AVI, etc. o preset salvo para o formato H.264 não aparecerá na lista. 


12) Para outros formatos de codecs de exportação você também pode criar, usando esse tutorial, outras configurações personalizadas. 

Grande abraço atodos!

Marceo Ruiz