quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sustentabilidade: Já pensou como ela afeta nossa área?



Imagine se você comprasse uma câmera Sony top de linha e ao final de um prazo, o fabricante ligasse para você oferecendo a troca pelo modelo recém lançado, onde você enviaria sua câmera usada, que seria comprada por, digamos, 85% do valor que você pagou na loja? E a nova seria enviada diretamente ao seu endereço por um custo inferior ao valor desse mesmo equipamento se adquirido nos revendedores? Sonho? Por enquanto sim. Mas saiba que muitas empresas estão começando a apostar nesse modelo de negócio. E isso é nada mais, nada menos, que o conceito ecológico da sustentabilidade aplicada ao mundo empresarial.

Em nossa área, a americana RED, fabricante das câmeras REDONE e SCARLET, já adotou essa prática como modelo de relacionamento com seus clientes.  A primeira câmera deles, a REDONE, casou uma revolução no mundo do cinema não apenas por ser a primeira câmera digital a substituir com perfeição as velhas filmadoras de película 35mm. O conceito, lançado com ela, ia além do modelo de negócios onde o fabricante está interessado apenas em lançar novos produtos, levando aos clientes fiéis a marca,  terem que trocar de equipamento com frequência. Algo muito comum em nosso ramo nos dias de hoje.


A proposta da RED foi fornecer um equipamento o mais modular possível, onde diversas partes de hardware e software pudessem ser trocadas, atualizadas ou compartilhadas com outros modelos da marca. E foi um sucesso. Na época, eles até criaram um slogan: “É a obsolescência se tornando obsoleta”. Ou seja, ao invés de focar tempo, dinheiro e energia em trocas de equipamentos, os clientes RED poderiam manter o foco na área principal de sua atividade: a produção de filmes.

Não sei se todos os meus leitores sabem, mas eu também venho me inspirando nesse conceito. As Workstations que monto, configuro e vendo são baseadas nesse princípio. Não são simples componentes de hardware e software que rapidamente perderão valor de mercado e ficarão ultrapassadas com pouco tempo de uso. Afinal, em um mercado caro como o nosso, investir milhares de reais em um equipamento, é uma decisão que deve levar em conta o tempo que esse equipamento vai levar para se pagar, o lucro que vai gerar e a durabilidade que vai ter.

Uma workstation minha não é barata, embora comparando com o preço de outros equipamentos similares, tenha um custo bem menor. Mas sua principal característica é ser, digamos, um produto artesanal. No melhor sentido do termo. Por não serem fabricadas em série e usarem sempre os melhores e mais atuais hardwares disponíveis no mercado, são, além de muito rápidas, extremamente confiáveis. Afinal uma workstations dessas não é enviada ao cliente sem antes ter ficado vários dias funcionando sem parar, enquanto eu vou afinando os componentes, os softwares e o sistema operacional. E eliminando também eventuais bugs apresentados.

Ao final de semanas de testes, eu posso garantir ao meu cliente que o equipamento poderá funcionar em regimes de 24 x  7 sem apresentarem defeitos e fornecendo o máximo da potencia operacional disponível pelo conjunto. Além disso, ao final do primeiro ano, meu cliente poderá optar pela troca por um modelo mais novo, pagando apenas uma ínfima parcela do custo de tabela da nova estação de trabalho.

Isso além de representar economia financeira, garante que meu cliente terá a seu dispor sempre o modelo mais atualizado e de melhor desempenho que ofereço. E assim pode voltar seu foco para sua atividade principal: a produção de conteúdo. Vejo aqui no blog o tempo que meus leitores gastam com configuração de equipamentos e os dissabores que têm por muitas vezes comprarem ilhas de edição que são “empurradas” por vendedores no mínimo mal informados e muitas vezes desonestos.

O sucesso das câmeras DSLR que também filmam, que foi uma revolução inaugurada com a mítica Canon 5DMKII, pode ser atribuído não apenas ao excelente desempenho delas em filmagens, mas também por um fator que os fotógrafos profissionais já conheciam e apreciavam: a intercambiabilidade de componentes auxiliares. Equipamentos caros como lentes, filtros, flashes, para-sóis e outros não perderam valor por décadas. Uma lente boa é muito cara, mas pode ser usada por décadas sem apresentar defeitos ou se tornarem obsoletas. Então, no caso das DSLR, é necessário trocar apenas o corpo da câmera, que é infinitamente mais barato que os demais acessórios.

Infelizmente na área de filmadoras profissionais, embora a maioria dos modelos top de linha usem o conceito de acessórios intercambiáveis, a tecnologia empregada, os padrões de vídeo e o custo dos corpos sem acessórios ainda estejam muito altos e sujeitos a mudanças com pouco tempo de lançamento. Basta comparar com a Canon 5DMKII que lançada em 2008, só foi atualizada no final de 2012 e mesmo assim, ainda continua a servir perfeitamente para a maioria das atividades que sua sucessora, a 5DMKIII está apta a realizar.

Quem sabe os fabricantes de câmeras profissionais um dia cheguem a esse patamar. É esperar para ver.

Grande abraço a todos!

Marcelo Ruiz 

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