terça-feira, 18 de julho de 2017

Sensores menores, imagens melhores?

Na foto: Câmera Panasonic Lumix GH4 com lente Zeiss Planar 85mm usada com adaptador. Crédito da imagem: https://suggestionofmotion.com/blog/metabones-canon-ef-speed-booster-review-7-days/

No post anterior mostrei a diferença entre a aproximação real de uma lente com determinada distância focal (no caso uma 85mm) e o preenchimento do quadro da imagem (sensor) quando essa lente é trocada de câmera. O que parece ser um maior poder de aproximação de uma lente Full Frame, quando montada em uma câmera com sensor menor, nada mais é que o enquadramento de parte do círculo de imagem da lente, sobre uma área menor de captura.  Usei como exemplo uma lente 85mm f/1.4, apropriada para sensores 35mm, montada em uma câmera 35mm e montada em uma câmera com sensor Micro 4/3.


Naquele artigo não falei em resolução de imagem (entendida aqui como o tamanho final da foto, impressa ou exibida em um monitor) e nem na resolução dos sensores das duas câmeras, para não complicar o tema tratado. Agora vamos pensar nesses detalhes. O tema aqui não mais o enquadramento, nem ao fator de corte, mas a qualidade da imagem. Para relembrar, vamos ver o exemplo do enquadramento do post anterior:
 
Figura 1

Vamos supor que o fotografo só tivesse mesmo a lente 85mm e a câmera Canon 5D MKII, uma 35mm Full Frame,  posicionada a 1,5m da pessoa. Nesse caso, a imagem original do sensor de 22MP da Canon produziria uma imagem com 5,616 × 3,744 pixelsO resultado seria a foto mostrada, na imagem abaixo:

Figura 2
Mas nem a pessoa e nem o fotografo queriam aquele enquadramento. A única opção (fora repetir a foto) seria o corte e reenquadramento da imagem, mostrado na foto acima no quadrado azul,  para obter o mesmo enquadramento do exemplo da figura 1no lado direito. Depois de cortada, a imagem, com o enquadramento desejado, ficaria com um tamanho menor em pixels:  cerca de 2554 x 1674 ou 4,2MP. Se essa imagem fosse impressa em papel fotográfico sem geraria uma foto com 21cm de largura por 14cm de altura. É um bom tamanho, para se usar em uma publicação impressa, como uma revista ou um folder de publicidade. Embora revistas de alto padrão gráfico e editorial, como as revistas de moda, exijam do fotógrafo originais com muito mais definição e muitas vezes até pedem que sejam usadas câmeras de médio formato com mais de 50MP.

Vejamos agora se a mesma foto, fosse captada com a mesma lente 85mm, estando à mesma distância da modelo, mas sendo montada em uma câmera Micro 4/3 como a Panasonic Lumix G5, com sensor de 22MP (a mesma definição da Full Frame 5D MKII): devido ao fator de corte que, já explicamos nos artigos anteriores, a imagem teria o enquadramento exato pretendido pelo nosso fotógrafo e pela sua cliente:


Figura 3

Nesse caso a imagem não precisaria ser cortada e reenquadrada, pois o fator de corte e o tamanho do sensor já produziriam uma foto com um "close up" maior. A imagem saída diretamente do cartão da câmera, produziria um foto impressa em papel fotográfico com aproximadamente 44cm de largura e 30cm de altura! Comparando as duas imagens (figuras 2 e 3) vemos que a "tal desvantagem e o preconceito" contra os sensores pequenos é relativa. e como tudo na vida, temos ganhos e perdas. Mas conhecendo a teoria e a técnica da fotografia podemos sempre tirar vantagem e extrair o melhor de cada equipamento que possuímos ou o que temos nas mãos para trabalhar em certas situações.

Ainda vou aproveitar para dar uma dica: existe o senso comum (mito) de que as lentes 85mm são as melhores para retratos.  Não é verdade. Dá para fazer retrato com qualquer lente, em princípio. Porém com alguns detalhes que podem atrapalhar. A lente que mais se aproxima da visão humana é a 55mm e por isso é chamada de “lente normal”.  Ela é ótima para retratos, exceto por um motivo: para fazer um close de rosto, o fotógrafo teria que chegar muito perto do rosto a ser  fotografado e isso tiraria a espontaneidade da pessoa. Quem quer uma lente, com um fotógrafo, por trás dela, a 60 centímetros de seu rosto?

A lente 85mm já dá mais espaço para a pessoa fotografada “respirar”, pois o fotógrafo pode ficar a uma distância entre um metro e meio a 2 metros do rosto. Uma lente 110mm é melhor ainda, mas em uma sala apertada talvez o fotógrafo tenha que ficar em uma porta ou janela pelo lado de fora para conseguir o mesmo close. Pela maioria das fotos posadas de rosto terem - desde o início da fotografia - sido feitas em estúdios pequenos em virtude da capacidade da iluminação artificial, as lentes que melhor se adaptavam para fotos de meio corpo ou rosto eram as 85mm. Daí surgiu o mito.

Nos dias de hoje muitos fotógrafos consideram a lente Canon EF 70-200mm f/2.8L IS II USM como uma das mais versáteis para fotos de rosto e meio corpo. Mas como assim usar uma lente zoom 200mm para retratos? Pois é. Mas muita gente ainda pensa assim. Como se existisse regras imutáveis e invioláveis na fotografia. Os profissionais que usam essa pequena (na verdade meio grande) maravilha, com estabilizador de imagem e autofoco extremamente rápido, dizem que com ela podem ficar a 10 ou 15 metros motivo e dar maior liberdade e sensação de privacidade ao modelo, seja um(a) profissional, uma criança, uma noiva ou mesmo bichos de estimação. Com o uso da estabilização e do foco automático, um belo close-up de rosto, com sensação de espontaneidade, pode ser captado com foco cravado e sem tremores, mesmo a 20 metros de distância.

No próximo post vou finalizar (por enquanto) esse assunto falando da maneira certa de fazer a conversão de parâmetros das lentes Full Frame quando usadas em sensores menores. Vou falar também por que não gosto de usar os adaptadores com lentes integradas (speed boosters) para adaptar as lentes formato 35mm nas câmeras Micro 4/3 que se trata de outra polêmica entre fotógrafos e tem suas vantagens e desvantagens. 

Grande abraço! 



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por sua participação! Asim que eu puder, vou responder! Volte sempre!

Marcelo Ruiz