domingo, 23 de abril de 2017

O perigo das baterias piratas e baratas!

Fonte: https://youtu.be/5PjdxgqY55k
O que andam vendendo pra gente... 

Uma das baterias mais usadas no mercado de vídeo profissional é a conhecida Sony NP-F970, que serve em uma gama enorme de modelos de camcorders da marca. Além disso as usamos em iluminadores, monitores de vídeo portáteis e outros periféricos. As câmeras da marca vem apenas com uma bateria NP-F570 (aquelas fininhas) que duram menos de duas horas. Aí corremos no Mercado Livre, Aliexpress, DealExtreme e encomendamos baterias de longa duração. Uma NP-F970 nos 'da autonomia de pelo menos 3 a 4 horas de filmagem. Nesses sites e em lojinhas de acessórios encontramos desde as marcas paralelas, muitas sem nome do fabricante, até o blisters (embalagens plásticas) que o vendedor jura que são originais Sony.


Realmente. Se olharmos sem atenção as embalagens colocando junto uma da outra, a primeira vista um pack original da Sony e um fale são iguais. Alguns tem até o selo holográfico!. E como o preço é tentador, não olhamos mais nada. Afinal, uma NP-F970 original comprada num revendedor autorizado Sony não sai por menos de R$ 500,00. E o vendedor do mercado paralelo nos oferece uma barganha de R$ 190,00 até R$ 120,00 reais pela "mesma" bateria original "lacrada no blister" como eles costumam anunciar. 

O bolso fala mais alto e compramos logo duas unidades que saem por menos que uma na loja oficial. Grande negócio! So que não... Se dermos sorte com uma dessas que funcione, vamos notar que tem algo errado logo na primeira vez que colocamos para carregar. O carregador Sony original, se tiver visor LCD, não vai mostrar as informações usuais de estado da bateria, nível de carga e duração estimada em uso. Mas tudo bem. quem precisa saber disso. Afinal depois de colocada na câmera, o LCD vai nos dar essa informação. 

Pois bem: bateria carregada (mas geralmente o carregador não mostra carga completa nem se deixarmos a bateria lá uma semana), instalamos na câmera e o visor indica 260 minutos de vida. Que ótimo! Valeu o investimento. Vamos ao trabalho. Aí vem a surpresa... depois de pouco mais de uma hora de filmagem (se tivermos sorte de ter comprado uma bateria pirata das menos ruins) o indicador de tempo de duração cai para menos de 10 minutos e a bateria morre. Tudo bem... temos a outra que compramos na pechincha. 

E acontece a mesma coisa. Mas perceba que esse não é o pior problema. Veja novamente a foto no início desse post: o que tem dentro de uma NP-F970 falsa? Quatro baterias prismáticas de celular xingling - geralmente refugo de linha de produção - e para dar o peso correto da original, baterias cilíndricas velhas desligadas do conjunto ou pior: pedaços de ferro e vergalhão! Isso mesmo! Vc comprou ferro-velho ao preço de lítio!

E o pior: essas bomba-relógio não tem controlador de carga e proteção e podem pegar fogo quando estão no carregador (e tomara que vc esteja em casa ou na produtora) ou dentro da sua câmera. Ou podem entrar em curto e no surto de voltagem, queimarem seu equipamento. Todos esses incêndios, choques elétricos com graves queimaduras, explosões de celulares e até mortes que são fartamente divulgadas na mídia e nas redes sociais são resultado de uma coisa: baterias, carregadores e cabos falsos! 

E no caso de celulares, mais comuns que câmeras profissionais, vemos aos montes essas bombas sendo vendidas em lojinhas duvidosas e camelôs em cada esquina das cidades. E muita gente comprando. Afinal porque pagar 200 pratas num cabo original se o camelô gente boa vende a 15 "real"? 

Muitos não sabem, mas a partir de janeiro desse ano (2017) mudaram as regras para transporte de baterias de lítio nos aviões de passageiros e de carga. Motivo? Incidentes a bordo. E não estou falando dos malfadados celulares e tablets top de linha da Samsung que explodiram e queimaram mondo à fora. Foram tantos casos, que a empresa retirou os produtos recém-lançados do mercado e amarga um prejuízo de bilhões de dólares. 

E percebam: não se tratavam de baterias piratas! A tecnologia do lítio veio para revolucionar o armazenamento de energia. Relativamente barato, com alta taxa de energia acumulada versus tamanho e peso e fáceis de fabricar. Mas células de lítio são também delicadas e temperamentais. Descarregadas ou carregadas incorretamente se tornam perigosas. Risco de explosão e incêndio.  Por isso foram proibidas de embarcar como bagagem desacompanhada no porão de carga das aeronaves. Somente na bagagem de mão e em quantidades limitadas (uma no equipamento e outra de reserva). 

Mesmo na aviação de carga, em aviões sem passageiros, agora as regras são rígidas para transporte dessas baterias. Mesmo novas e com apenas 30% da carga como manda a legislação internacional. Por isso é preciso cuidado. Não apenas com o bolso, pois o barato sempre sai caro. Mas com sua segurança, de pessoas em sua casa, local de trabalho, meios de transporte e de seu património. 

Finalmente fica a dica (na verdade uma norma de segurança internacional): jamais deixe duas baterias carregando em sua casa ou produtora sozinhas depois do expediente. Coisa muito comum que fazemos para ganhar tempo e ter tudo pronto para o dia seguinte. E estou falando de baterias novas, originais e em perfeito estado em seus carregadores originais. Se habitue a desligá-los da tomada e retirar as baterias antes de ir embora. Se for necessário, leve pra casa o carregador e as baterias e deixe em local onde não haja risco de propagação de chamas, como um piso de cimento ou piso frio. E tão logo a carga termine, desligue o carregador, retire as baterias e as deixe esfriar por pelo menos uma hora antes de usar. E nunca recarregue uma bateria de lítio em temperaturas ambiente inferiores a 10°C ou acima de 45°C e nem as use em temperatura abaixo de zero ou acima de 65°C. 

Tomando certos cuidados, uma bateria de lítio de boa qualidade vai durar muitos anos. Se as suas estão durando menos, sendo originais e de boa marca. talvez vc esteja cuidando mal delas. ! 

Grande abraço! 

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Marcelo Ruiz

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