08/08/2011

A ilusão do notebook novo... cuidado com a troca.

Todo mundo pensa em trocar seu notebook quando ele começa a demorar demais para iniciar o sistema operacional ou abrir programas e arquivos. Achando que o computador se tornou lento por ser velho e estar ultrapassado, e que não tem mais espaço para guardar aquela montanha de documentos, fotos e vídeos que foram crescendo com o tempo, tentam resolver o problema passeando nas lojas de departamentos, babando com os modelos mais recentes e sonhando em aposentar o velho amigo.

A grande maioria, sem conhecimento técnico suficiente, acaba caindo na lábia de vendedores inescrupulosos que querem apenas empurrar o produto mais sofisticado para o cliente desavisado. A troca acaba saindo cara e pior que isso, muitas vezes o comprador leva para casa um modelo com características desnecessárias para o uso pretendido e ainda descobre que a internet continua inexplicavelmente lenta e o desempenho geral, para uma série de aplicativos, não mudou na mesma proporção do investimento realizado.

No caso de um Macbook da Apple, a diferença entre um modelo 2011 com processador Core i7, para um modelo 2008 com Core 2 Duo, pode chegar a absurdos quatro mil reais! Isso considerando a possibilidade de vender o antigo e usar o dinheiro para ajudar na compra do novo. Na maioria das vezes o computador antigo não é nem vendido. Geralmente é doado para algum membro da família ou mesmo para alguma instituição carente - ação muito louvável e cidadã - mas que não deixa de causar certo prejuízo ao bolso.

Então será mesmo necessário investir milhares de reais, na compra de um computador novo, para a maioria dos usuários de desktops ou notebooks? É possível melhorar o desempenho de computadores com 2, 3 ou mesmo 5 anos de uso investindo um valor menor do que o necessário para a troca de todo o equipamento? Eu diria que, para a grande maioria dos usuários de computadores pessoais, onde o equipamento desempenha tarefas de edição de textos, criação de planilhas matemáticas, criação de apresentações tipo PowerPoint, navegação na web e nas redes sociais e leitura de e-mails, a troca é quase sempre equivocada e desnecessária. E o investimento em modelos mais novos e muito mais caros, jamais se pagará ou justificará.

Vamos tentar entender alguns mitos relacionados a desempenho de computadores pessoais. Para facilitar a explanação vou abordar primeiro os problemas relacionados com a lentidão geral do equipamento, que na maioria das vezes é percebida pelo usuário como um defeito causado pelo tempo de uso ou desgaste do computador. Depois abordarei a questão do desempenho, essa sim, em grande parte, diretamente ligada a idade dos componentes de hardware ou software.

Ao usarmos pela primeira vez um novo modelo de notebook ou PC, inevitavelmente comparamos seu desempenho usando a experiência anterior adquirida em outros equipamentos. Seja em casa ou no trabalho, usamos um determinado equipamento e nos acostumamos com ele. Então ao recebermos um computador novo no trabalho, ao usarmos um notebook recém lançado, que um amigo comprou ou comprarmos um computador novo para nossa casa, notamos grandes diferenças. E imediatamente passamos a achar que determinado modelo parece uma carroça comparado com outro mais novo. Um outro sentimento comum é de que o equipamento, que quando recém tirado da caixa era um foguete, com o passar dos meses de uso, já não nos impressiona tanto, chegando mesmo ao ponto de dar umas travadinhas como o seu antecessor.

Isso acontece, principalmente por dois motivos, excesso de programas e aplicativos instalados, muitos inclusive gerando conflitos com o sistema operacional e programas antivírus e, em segundo lugar, por falta de espaço no disco rígido, depois de zilhões de fotos, vídeos e outras bugigangas que vão entupindo o HD. Então, o sistema operacional e os seus programas preferidos que abriam rapidamente, quando o computador era novo e tinha espaço suficiente no disco rígido, passam a levar uma eternidade para iniciarem. A maioria dos programas destinados aos usuários médios, como editores de textos e planilhas, navegadores web e programas de e-mail, não se tornaram tão mais complexos e pesados com o passar dos anos. Há casos em que até ficaram mais leves e rápidos.

Esses programas, por si sós, não justificariam o aumento da capacidade de computação experimentada, no mesmo período, pelos componentes de hardware. O desenvolvimento dos games, dos aplicativos para manipular imagens, áudio e vídeo e programas mais específicos para computação gráfica e simulação matemática, foram os grandes responsáveis pelo desenvolvimento de computadores mais potentes e velozes. Mas são programas específicos utilizados por uma parcela bem menor de pessoas e instalados quase sempre em estações de trabalho profissionais.

O uso de um computador com processador de última geração não vai fazer muito por sua experiência de navegação na web, por exemplo. A velocidade de abertura de sites e aplicativos online depende muito mais da velocidade de sua conexão com a rede e com a capacidade do servidor onde o site esteja hospedado, do que com a capacidade de sua máquina. Um documento do Microsoft Word contendo muitas páginas com planilhas, gráficos e imagens, não vai abrir mais rápido em um notebook com processador mais avançado, do que abriria no seu velho desktop se o disco rígido estiver lotado.

Precisamos entender que existem atividades em um computador que não estão ligadas diretamente a capacidade de processamento, ou melhor dizendo, ao uso do processador. Alguns documentos ou programas necessitam muitas vezes uma maior capacidade de leitura e alocação na memória de grandes quantidades de dados. E isso está ligado mais diretamente a capacidade do disco rígido em ler esses dados do que processar, efetuando cálculos numéricos e outras variáveis, usando a CPU.

Então para a maioria dos arquivos que utilizamos no dia-a-dia, um computador com uma capacidade adequada de armazenamento, um disco rígido veloz e uma razoável quantidade de memória RAM, é mais que suficiente para nos atender com rapidez e qualidade.

Então chegamos ao ponto principal desse artigo: Trocar ou não trocar seu computador? Se você se encaixa no perfil de usuário mediano, que usa o notebook para tarefas cotidianas, eu diria que não. Basta você trocar o HD velho por um mais rápido e com maior velocidade e talvez instalar mais 2 Gb de memória RAM para voltar a ter aquela relação apaixonada com seu velho companheiro. Aproveitar essa troca para reinstalar o sistema operacional, atualizar os drivers e principalmente deletar programas que não usa mais e fazer uma faxina geral em seus arquivos. Talvez passar para um disco rígido externo, documentos, fotos, vídeos e demais arquivos que não são mais tão usados. Com esses procedimentos simples e investindo pouco dinheiro em peças novas, você terá um computador excelente em mãos.

Agora, se você é um usuário avançado, que necessita rodar aplicativos mais pesados, como jogos e programas de manipulação de vídeo, sons e imagens do tipo semiprofissional, talvez necessite trocar também sua placa de vídeo. Nesse caso, são poucos os modelos que permitem essa troca, pois geralmente as placas de vídeo, mesmo as dedicadas, são soldadas na placa mãe e não podem ser substituídas. Agora se vc tem a sorte de ter um modelo mais avançado, onde a placa de vídeo está instalada em um slot interno, talvez a troca possa ser feita. Mas nesses casos é melhor mesmo trocar o note por outro mais novo e vender o antigo, pois se for um modelo tão avançado assim, certamente não faltarão compradores interessados.

Finalmente, voltando ao exemplo dado no início desse artigo - a troca de um Macbook Core 2 Duo com 3 anos de uso - que pode representar um gasto extra de R$ 3 a 4 mil reais, caso você consiga vender o equipamento antigo por, digamos, R$ 1.000,00., o desempenho do seu Mac novo, para os programas e atividades citadas anteriormente, não vai melhorar significativamente. E por outro lado, com um investimento de R$ 800 a R$ 1 mil reais, você pode turbinar seu note usado deixando-o até mais rápido que um modelo novo, para grande parte dos programas mais comuns. Isso porque são poucos os notebooks novos que já estão vindo com HDD de estado sólido Esse custo está incluindo um SSDHD de 120 Gb, instalação de mais 2 Gb de RAM e atualização do sistema operacional.

Então na hora de trocar seu equipamento existente, por outro novo, fique atento e procure pensar racionalmente. Analise, dentro de uma perspectiva de dois ou três anos, o uso pretendido para o novo computador e faça as contas. Afinal dinheiro ainda não está nascendo em árvores ou enviado via e-mail pelo seu melhor amigo!

01/08/2011

Receita de bolo de fubá...


imagem do site matraqueando.com.br


Gente, não tem coisa mais brasileira e caipira (sem ofensa) do que um bom bolo de fubá de milho. Vai bem com um café passado na hora. É ótimo com guaraná ou mesmo com leite gelado. Alimenta, é saudável e fácil de fazer. Não precisa inventar, colocar outros ingredientes além de ovo, farinha, manteiga fubá e açúcar. Não precisa de cobertura nem  frescura.

Mesma coisa acontece com produção de vídeo. Tem que ser honesta e simples como um bom bolo de milho. Então lá vai, a pedido de vários espectadores, que me mandaram e-mails, cartas e sinais de fumaça.

Qual câmera eu compro?

A que couber em seu orçamento! Não adianta comprar uma câmera de R$ 25 mil e estourar sua conta bancaria. Lembre-se que faltam os microfones, um bom tripé e uma luz descente!

Então escolha uma câmera intermediária de R$ 12 mil e seja feliz! Tem ótimos modelos nessa faixa de preço: Sony HVR-Z7, Z5 e NX5, Panasonic AGHMC-150, AGHPX-170 ou mesmo uma HVX200, Canon XF-105 e XF-300. Todas custando entre US$ 5.000 ou US$ 6.000.

Todas dão conta do recado quando o assunto é vídeo social, institucional, comerciais de tv genéricos  e gravação de eventos ao vivo. É só saber extrair todo o suco delas!

Sony é melhor que Panasonic ou Canon?

Todas são marcas excelentes.  Algumas tem melhor rede de revendas autorizadas,  suporte técnico mais fácil e maior facilidade de revenda na hora da atualização por novos modelos.

Mas aqui não tem jeito. Vou ter que quebrar os ovos para fazer a omelete: em todos os quesitos citados a Sony ganha com vantagem. Que me perdoem as concorrentes. É fato.

Mas lembre-se: em termos de qualidade de imagem todas são excelentes. Então se tiver preferencia por uma marca ou oportunidade de um bom negócio, vá em frente.

Mas lembre-se: se vai começar seu negócio com 2 ou mais câmeras,  compre todas de uma mesma marca se não quiser gastar horas na ilha de edição para corrigir gama, contraste e saturação. Cada marca tem suas características.

Mais uma dica: Sony e Canon se equivalem em termos de temperatura de cor e qualidade de compressão de imagem, pois a Canon usa a mesma tecnologia da Sony. Panasonic tem um visual mais fílmico.

Se você pretende trabalhar com documentários e curta-metragens vá de Panasonic  por conta da temperatura de cor e da possibilidade de taxa de frames variáveis, mesmo em modelos intermediários. Você não imagina o que uma boa e velha HVX200 pode fazer !

E para editar?

Aqui eu me posiciono e assino em baixo! Meu computador preferido é Macbook Pro... para ler meus e-mails!

Para edição de vídeo é PC, Windows 7, 64 bits, Core i7 Segunda Geração e Adobe Premiere Pro CS5. O resto é dor de cabeça, gasto desnecessário de dinheiro e perda de tempo. Se quiser conhecer mais sobre o tema, assista os diversos vídeos que postei sobre o assunto aqui no blog.

Mas é qualquer computador? Não! Se seu orçamento é R$ 20.000,00, gaste onze na câmera, sete na ilha de edição e torre o troco com um bom tripé e um bom microfone direcional. Dá certinho. E você vai poder fazer um trabalho irretocável.

E o restante?

O restante é um jogo com 3 iluminadores descentes, um monitor confiável de referencia e seu talento. E estudar, estudar, estudar! Ler muito sobre equipamentos e técnicas, experimentar ângulos novos, luz e sombras, bons enquadramentos. Ou seja: filmar muito. Mesmo que esteja sem serviço, deixe a preguiça de lado e leve sua câmera para passear. Filme tudo. E assista com olhar crítico o que você produziu. Se não gostou, vá lá e faça de novo. É assim que se aprende. Se tiver dúvidas faça como eu, pergunte! Não tenha vergonha de dizer que não sabe e quer aprender.

Está aí amigos o lanche da tarde bem servido com cafezinho passado na hora e bolo de fubá quentinho.

30/07/2011

Sua ilha de edição está acabando com seu lucro?

Recebo muitos e-mails e telefonemas pedindo dicas para melhorar o desempenho de computadores que estão sendo usados para edição de vídeo. O tema é vasto e complexo. Já publiquei aqui no blog diversos vídeos sobre o assunto tentando esclarecer o assunto.  Foram dicas sobre como configurar o Premiere Pro CS5, como tirar proveito do software Mercury Playback Engine e como melhorar o desempenho com o aproveitamento das capacidades da placa de vídeo.
Mas hoje recebi um e-mail de uma pessoa que reclamava do preço de uma de minhas workstations. Especificamente o modelo  top de linha para trabalhos em 3D.  Essa pessoa, em tom de deboche, dizia que o valor cobrado daria para comprar um carro usado e que se eu não baixasse o preço, não conseguiria vender o produto.
Mesmo entendendo que essa pessoa provavelmente não é do ramo e não tem conhecimento dos custos envolvidos em produção profissional de vídeo, não pude deixar de pensar que muito dos problemas, relatados por aqueles que me pedem sugestões, tem relação direta com esse hábito de comparar o preço das coisas para chegar a uma noção de valor.
O problema é quando se compara laranjas com bananas tentando estabelecer um valor  para cada uma delas.  Fora a semelhança óbvia que as duas são frutas e servem para alimentar, o restante não pode ser comparado. Cada uma requer uma tipo de cuidado, insumos e trabalho para ser cultivada. E fora isso tem também o valor subjetivo e pessoal. Uma pessoa que deteste banana vai sempre achar o produto caro. Outra que ame laranjas talvez pague um valor acima do aceitável para comprar o produto.
Computadores e workstations tem várias semelhanças, mas assim como bananas e laranjas, não podem ser comparados. Uma torta de banana não pode ser feita com laranjas. Um computador pessoal não pode ser usado no lugar de uma ilha de edição, sob pena de se tornar uma torta de banana com sabor laranja: serve para alimentar mas não trará o mesmo prazer estético. Vai frustrar o paladar de quem experimenta.
Não adianta tentar economizar na hora da compra. O resultado a longo prazo certamente será de prejuízo. Para exemplificar o que estou tentando mostrar, vamos olhar a tabela abaixo. São resultados expressos em tempo necessário para executar tarefas cotidianas nas áreas de edição de vídeo e criação de conteúdo 3D.


A diferença entre processadores mais antigos como o Core 2 Duo ou Quad e os mais novos Core i7 é muito significativa, chegando a ser 3 vezes mais lenta para os processadores mais antigos. Mesmo entre os processadores mais novos Core i7, a diferença entre a segunda geração e a primeira passa dos 50% em economia de tempo.
Tomando como exemplo a edição de vídeo em HD no Premiere CS5, uma timeline com 2 horas de duração, pode levar mais de 15 horas para ser exportada,  no formato H.264, para BluRay, em um computador com processador Core 2 Duo. Em contrapartida a mesma tarefa pode ser executada em 2 horas e meia em uma workstation equipada com processador Core i7 de Segunda Geração. Se considerarmos um expediente normal de 8 horas diárias de trabalho, somente a codificação final do projeto, sem contar o tempo gasto para a edição e finalização, levaria um dia e meio para obter o produto final. Além do tempo em espera, devemos levar em conta também os custos operacionais envolvidos.
No caso de projetos onde o render é necessário não apenas para a exportação do produto final, mas também para a visualização dos resultados durante o processo de criação,  a espera pode significar um tempo até seis vezes maior, quando comparamos um processador  Core 2 Duo com um Core i7 moderno.
Isso significa renderizar uma composição em formato HD com 30 segundos de duração em pouco mais de 4 minutos  para um processador veloz, a mais de 25 minutos em processadores mais antigos. Os resultados são semelhantes em programas que utilizam cálculos vetoriais como o After Efects CS5 ou o 3DMax.
Por essas razões, tentar economizar na configuração inicial ou na substituição de um equipamento de edição, pode significar um prejuízo muito maior e contínuo no tempo desperdiçado em tarefas que não podem deixar de ser executadas. Significa maior desgaste para o próprio equipamento e principalmente para o profissional que o opera e muitas vezes significa danos a imagem de seu empreendimento, por descumprir prazos estabelecidos  em um negócio onde o tempo é sempre escasso e caro.
Da mesma forma, utilizar equipamentos superdimensionados para determinadas tarefas, pode trazer prejuízos em relação ao custo inicial de aquisição,  ao custo decorrente da depreciação e o ganho real em termos de desempenho obtido. As vezes, menos pode significar mais e muito mais pode significar um pouco menos.

22/07/2011

É o fim da era Apple/Fine Cut Pro no cenário da edição de vídeo não linear?


Mesmo sob pena de causar a ira dos Mac’maníacos, vou correr o risco de escrever esse artigo. Meu conselho, para quem ainda acha que os Mac’s reinam supremos na edição de vídeo, seria: analise bem as tendências de mercado e se informe bastante nos meios especializados antes de trocar seu velho Mac Pro por um novo equipamento de edição não-linear.

Sei como os Mac’guerreiros são empedernidos quando se trata de discutir o tema.  Os seguidores fiéis da marca quase nunca aceitam argumentos de não iniciados. Mas vamos tentar, ao longo desse artigo, analisar de maneira isenta e sempre citando as fontes, os argumentos em jogo.

Os sinais de fumaça já andam sendo mostrados no alto das montanhas do Vale do Silício. Os primeiros sinais apareceram em 2006 quando os MacPro e iMac começaram a ser vendidos com processadores Intel Core Duo. Alguns meses depois a empresa da maça lançava o Bootcamp, que permitia a usuários do sistema OsX instalar o Windows em seus computadores.

Agora, em 2011, novamente nuvens de fumaça branca se levantam do QG da Apple para anunciar o fim do suporte aos processadores PowerPC.   Com o lançamento do OsX Lion torna-se necessário ter, no mínimo, um processador Intel instalado no computador.

Também há sinais de mudanças no lançamento da nova versão do Final Cut. O sistema que agora é chamado de Final Cut X esta levantando rumores, no mercado profissional de edição de vídeos, tão variados como especulações de que a empresa de Steve Jobs estaria abandonando o segmento profissional de edição[1] ou que, na verdade, trata-se de uma radical inovação no modo de editar vídeos em sistemas não-lineares[2].

Arrisco aqui uma opinião diversa que engloba as outras duas em uma terceira via. Tal como aconteceu com seu hardware, a Apple talvez esteja querendo se aproximar do senso comum. Assim como a Avid lançou recentemente a nova versão do Media Composer, finalmente permitindo, de maneira mais prática e funcional, sua instalação e funcionamento plenos em equipamentos não-proprietários e não necessariamente fabricados por parceiros homologados.

Talvez a Apple esteja mirando o mercado de varejo, dos pequenos empresários do setor de vídeo e tv, que optam por construir seus próprios sistemas de ENL[3]. Acho que, daqui por diante, não seria surpresa vermos, no futuro, uma versão do Final Cut X para Windows. Por outro lado, a Apple afirma que a nova versão de seu software de edição ainda não está madura o suficiente para o mercado profissional e que novas implementações estarão disponíveis brevemente.
Com a redução do preço inicial de aquisição do programa tendo baixado mais de 30% em relação a versão anterior, embora desprovida de várias funcionalidades, que devem ser adquiridas a parte nas Apple Stores, a empresa quer claramente competir com a Adobe e Avid, que também reduziram os preços de seus produtos  desse segmento.

Eu tenho comentado aqui no blog em alguns vídeos, sobre a crescente vantagem dos sistemas NLE baseados em PC Windows sobre o Final Cut Pro. Uma dessas vantagens foi o Mercury Play Back Engine, que deixou de fora os Macbook Pro e MacPro, que utilizam placas de vídeo ATI.  A Nvidia contra atacou lançando a Quadro 4000 em versão especial para Mac Pro, pois um crescente número de usuários estava optando por usar a versão do Premiere CS5 para o sistema operacional OsX.

Meio refém de acordos comerciais com a ATI, que inclusive teve diversos profissionais de TI mudando-se para as fileiras de Steve Jobs, a Apple contra-atacou essa desvantagem com as novas funcionalidades do Final Cut X que incluem a arquitetura de 64 bits, permitindo ao aplicativo reconhecer mais de 4 Gb de RAM e a implementação de um render inteligente, que trabalha quieto em segundo plano, usando a CPU e a GPU para acelerar as tarefas.

Isso reforça mais a idéia de uma futura versão do Final Cut para PC’s Windows talvez baseados em aceleração de render com placas da ATI. A empresa viu, desde o lançamento do Premiere CS5, uma migração de consumidores de placas hight-end para os produtos  NVidia Cuda Active. Talvez agora seja a hora do troco. É esperar para ver.

Mas meu leitor deve, a esta altura, estar confuso em relação ao título desse artigo, pois até agora tudo que escrevi aponta para um ganho de desempenho do produto da Apple. Mas vamos então clarear as coisas. Tudo o que foi dito até agora, aponta para uma retomada de vantagens da Apple sobre os concorrentes, retomando a posição de superioridade que ela sempre desfrutou.

Isso também significa claramente que nos últimos dois ou três anos os produtos baseados em Windows PC para o mercado de vídeo profissional se tornaram maduros  e incorporaram significativos avanços tecnológicos. Isso levou o mercado a um empate técnico. Se antes, os computadores Mac com Final Cut Pro reinavam confortavelmente no segmento dominado historicamente pela Avid, as duas empresas viram uma brande fatia desse mercado ser abocanhada por sistemas e equipamentos de outros fabricantes e desenvolvedores.

A crise global de 2008, o crescimento da participação de pequenas produtoras no, antes quase inacessível, mercado de produção profissional de vídeos em alta definição, proporcionado pelos lançamentos de produtos com preços acessíveis pelas quatro grandes marcas do setor, principalmente na área de aquisição de imagens, forçaram esse mesmo mercado consumidor a buscar e solicitar soluções de baixo custo para seus departamentos de edição e finalização de conteúdos.

Da dependência quase total de sistemas NLE fechados e proprietários até a metade da década atual, passamos para a liberdade de escolher, configurar e adquirir esses equipamentos em partes distintas e de fabricantes diferentes.  Hoje, um técnico de computadores e sistemas com conhecimento mediano já é capaz de montar sistemas bons o suficiente para ENL.

É claro que sistemas mais avançados, que possam competir em pé de igualdade com equipamentos hight-end, ainda necessitam de um conhecimento mais apurado para atingirem performance máxima. Mas a disponibilidade de tecnologia de ponta acessível a baixo custo trouxe liberdade aos pequenos e médios empreendedores do setor.

Sendo assim, voltamos ao foco do artigo, com o seguinte questionamento: vale a pena se pagar milhares de reais a mais por produtos Apple, HP, Dell, Avid e outros fabricantes e integradores de workstations NLE para, no final, termos um ganho de eficiência que não ultrapassa os 5 ou 10%? Sobre esse tema, sugiro a leitura de algumas conclusões do pessoal do site PPBM5[4], que se dedica a testar e avaliar computadores rodando Adobe Premiere Pro globalmente em um interessante artigo intitulado Background on the new test results, que poderia ser traduzido livremente por “Conclusões sobre os novos resultados dos testes”.

Nesse artigo, os responseveis pelo site deixam claro que, gastando milhares do dólares em um sistema NLE, é relativamente fácil conseguir desempenho. Mas que, tomando como princípio a necessidade de se manter o custo de aquisição baixo, para possibilitar o retorno do investimento, os melhores sistemas não são, necessariamente, os mais caros.

E que o ganho de desempenho entre a máquina mais cara e a mediana é tão pouco , que não justifica o montante investido e não se paga, levando em conta a vida útil do equipamento. E esse ponto é muito importante e deve ser levado em consideração na hora da escolha do equipamento.

Não estou absolutamente desqualificando os equipamentos dos fabricantes citados. Todos eles são o que há de melhor na categoria. Porém, o pequeno e médio empresário do nosso setor, deve tomar cuidado na escolha. Os principais pontos a levar em conta são:

·      Custo inicial de aquisição;
·      Vida útil efetiva do equipamento;
·      Possibilidade de agregar novas tecnologias;
·      Dependência de peças de manutenção exclusivas;
·      Facilidade de assistência técnica;
·      Tempo de espera em caso de manutenção.

O custo inicial de aquisição é importante porque determinará seu lucro com o equipamento. Tendo a vida útil limitada, nem tanto pela durabilidade, mas preponderantemente pela desatualização extremamente rápida da tecnologia, uma NLE com custo inicial elevado pode não se pagar até precisar ser aposentada. E isso é prejuízo na certa.

Se a vida útil é determinada mais pelo avanço da tecnologia, do que pela durabilidade dos componentes, é necessário que o sistema possa ter possibilidades de upgrades futuros a custo baixo e tempo de parada mínimo.
Deve ser também flexível o bastante para acomodar tecnologias novas de diferentes fabricantes.

Sistemas fechados ou de fabricantes com características especiais tendem a usar componentes internos fabricados especialmente para eles. Em caso de quebra de um desses componentes, o tempo de reposição, mesmo contando quase sempre com uma garantia abrangente e eficiente, pode demorar mais que o suportável em uma pequena empresa, que não tem equipamentos iguais de reserva.

Também a facilidade de acionamento e o tempo de solução do problema por parte dos profissionais da assistência técnica deve ser levado em consideração. Não é raro encontrarmos casos em que o equipamento tem que ser enviado para outro país para solucionar um defeito. Ou a assistência técnica, apesar do atendimento rápido e interessado, ter que aguardar meses pelo envio de um componente a partir de sua matriz no exterior.

Em todos esses casos é mais conveniente ter um sistema NLE montado com componentes de mercado, que podem ser encontrados com certa facilidade e bom preço em um bom fornecedor de hardware em sua cidade ou com site de compras online. E isso não significa abrir mão da qualidade ou da eficiência. É tudo uma questão de escolher o hardware correto e a configuração precisa e especializada para as tarefas a serem desempenhadas pelo equipamento.

Cada vez mais os empreendedores do segmento de vídeo produção tem estado atentos a essa questão dos custos. E muitos estão abandonando os sistemas proprietários ou muito exclusivos na hora da substituição de suas estações de trabalho ENL. Exatamente por isso vemos um grande movimento no mercado de soluções de hardware e software no sentido da universalização do uso de tecnologias e componentes.

É o caso da Apple ao adotar processadores Intel, da Intel ao lançar tecnologias como a nova interface de comunicação Thunderbolt[5] que, lançada com um breve período de exclusividade pela Apple, estará brevemente em computadores PC, desenvolvedores de sistemas e softwares como Adobe, Avid, Blackmagic e outros que se preocupam em fornecer sempre opções para Mac e Windows  em seus lançamentos. Então se você se preocupa com coisas como lucro e custos deve pensar e pesquisar bastante antes de fazer suas escolhas se baseando apenas em nomes e marcas.




[1] http://www.tvtechnology.com/article/122670
[2] http://library.creativecow.net/adcock_gary/FCPX/1
[3] Edição Não Linear
[4] http://ppbm5.com/News.html
[5] http://en.wikipedia.org/wiki/Thunderbolt_(interface)

21/07/2011

Ganhando tempo com uso de gravador digital de vídeos.



O uso de gravadores digitais de vídeo tem se popularizado.  A grande vantagem desse equipamento é permitir que o conteúdo capturado, seja em eventos ao vivo, seja em estúdio ou externas, esteja disponível para edição imediatamente. A economia de tempo em relação ao uso de fitas de vídeo é dramática, poupando muitas horas ao editor.  Mesmo quando comparado ao tempo de descarga de cartões  SDHC, a economia de tempo pode chegar a quase uma hora para  cerca de duas horas de material capturado.

18/07/2011

Gravar conteúdos ao vivo e disponibilizar rapidamente para seu cliente!


O mercado de vídeo produção é frenético. Os clientes tem pressa. Como disponibilizar conteúdos de eventos gravados ao vivo imediatamente para seus clientes em DVD?  Muitos colegas que produzem esse tipo de evento encontram dificuldades para atender esse tipo de solicitação.

Seja em eventos sociais como formaturas, casamentos e aniversários, seja em eventos corporativos como seminários, palestras e congressos, o cliente muitas vezes solicita a equipe de filmagem uma cópia da gravação para distribuir como brinde ou material didático aos participantes.

Com as novas tecnologias disponíveis, essa tarefa se tornou mais fácil. Você pode atender esse tipo de pedido tendo os equipamentos certos em sua produtora. As possibilidades são muitas e incluem edição em tempo real com diversas câmeras, inserção de cartelas, arquivos do tipo Powerpoint apresentados durante as palestras, fotos e outros conteúdos.

O áudio e certos parâmetros do vídeo como níveis de brilho e contraste e correção de cor também podem ser ajustados. O material captado também pode ser editado para correção de erros durante o corte ao vivo.

O material pode ser distribuído em minutos após o evento na forma de DVD ou mesmo disponibilização no site do cliente em forma de streaming. 

Veja no próximo programa como fazer esse truque bacana que vai valorizar mais suas produções e aumentar seu diferencial competitivo. 

Melhorando o desempenho na edição de vídeos AVCHD



Com o novo formato AVCHD presente em todas as novas cameras HD profissionais, editar fluxos de vídeo em alta tornou-se um problema em ilhas de edição que não estejam preparadas econfiguradas para a tarefa. Veja aqui como evitar as armadilhas do novo formato. Confira a matéria...

por: Marcelo Ruiz

Programa Gravado no estúdio da Olharmultimídia:


apresentação
MARCELO RUIZ


direção, câmera RODRIGO NUNES
edição,pós-produção CLARISSA ALMEIDA


produção
OLHARMULTIMÍDIA


12/07/2011

Sony NX5 ou Z5? Na duvida fique com as duas!



Muitos colegas me perguntam sobre qual câmera comprar. Nesse vídeo vamos discutir um pouco sobre a nova Sony NX5 e a veterana Z5U. Se você acha que a Z5 deve ser trocada, assista o vídeo e veja que ela ainda tem muito a oferecer.

08/07/2011

Equipamentos da Blackmagic Design - qualidade e preço justo.



Neste vídeo vamos falar um pouco dos novos produtos da Blackmagic Design. Empresa americana atuante no mercado de equipamentos para cimema digital e televisão, que está sempre lançando produtos focados nas necessidades do nosso dia-a-dia, descomplicados e com preço acessível.

05/07/2011

Adobe Premiere CS5 - Mercury Playback Engine - Tecnologia NVidia Cuda


Adobe Premiere Pro CS5 Tips and Tricks from Marcelo Ruiz on Vimeo.

Olhar Tecnológico - Segundo programa apresentando dicas sobre o Adobe Premiere CS5 - Mercury Playback Engine - e a tecnologia NVidia Cuda que pode acelerar em até 20 vezes o render de video em tempo real. A vantagem desse novo recurso implementado pela Adobe se faz notar principalmente na edição de material nativo em AVCHD. Confira a matéria...

por: Marcelo Ruiz


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Programa Gravado no estúdio da Olharmultimídia:


apresentação
MARCELO RUIZ

direção, câmera RODRIGO NUNES
edição,pós-produção CLARISSA ALMEIDA

produção
OLHARMULTIMÍDIA

30/06/2011

Workstation Premiere CS5


OLHAR TECNOLÓGICO - Workstation Premiere CS5 from Olharmultimidia on Vimeo.


Atenção! Esse produto já foi substituido por versões mais novas. 


Olhar Tecnológico - Primeiro programa apresentando um dos produtos da Olharmultimídia. uma Workstation para edição de vídeo em alta performance.


Com o lançamento do Windows 7 e a popularização dos sistemas em 64 bits, os desenvolvedores da Adobe, perceberam que já era hora de usar o poder de computação das GPU’s. E foi o que a Adobe fez com o Premeire CS5. Ao incorporar um aplicativo chamado Mercury Playback Engine desenvolvido em parceria com a Nvidia (fabricante de chips para placas de computação gráfica), a Adobe alcançou um novo patamar em termos de velocidade e economia de tempo na edição não linear.

Com o Mercury Engine, todo o processamento de video e render é desviado para o procesador da placa gráfica (GPU). Assim o processador do cmputador fica menos sobrecarregado e pode dar conta de todas as outras tarefas gerenciais da máquina. E que não são poucas. Para se comprovar isso basta abrir uma janela do aplicativo Monitor do Sistema durante a execução de um vídeo em alta definição, mesmo sem efeitos , que esteja rodando em um programa de edição. O uso da CPU chega a cem por cento. E, dependendo do tamanho e peso do vídeo, o que se vé é uma imagem com saltos e paradas.
           
Em um mesmo computador com o Mercury Engine habilitado o mesmo vídeo usa, no máximo, cinquenta por cento da capacidade do processdor e o fluxo de video é suave, constante e sem travamentos. Mesmo vídeos de formatos e codificações diferentes em uma mesma timeline rodam sem problemas e o que é melhor: sem a maldita barra vermelha indicando que vai ser necessário render na hora de exportar. Até mesmo o uso de efeitos de correção de cor ou redimensionamento rodam sem necessidade de render. É o sonho de todo editor!
           
Mas para chegar nesse ponto muitos são os tropeços e longo é o tempo gaasto em configurações e testes. Não são todas as placas de vídeo que rodam o com o Mercury Engine. E mesmo entre as que estão habilitadas a diferença de desempenho é bastante discrepante. A Nvidia e a Adobe mantém em seus rspetivos sites relações atualizadas de quais produtos podem ser utilizados com a nova tecnologia.


Se antes as ilhas de edição eram equipamentos caríssimos e fechados, onde quem dava manutenção e solucionava problemas era apenas o técnico credenciado do fabricante, hoje é o próprio profissional de edição que deve aprender a cuidar de seu equipamento. Seja aprimorando o seu proprio sistema, se for um profissional autônomo ou dando indicações claras e precisas ao gerente de manutenção de sua empresa para aquisição de componentes ou solicitação de reparos e melhorias.
           
Portanto o AVCHD não deve ser encarado como o bicho-papão da ediçãqo de vídeo e desse ponto em diante não haverá mais volta. Os sucessores desse formato continuarão na premissa de altas taxas de compressão e otimização de qualidade com a contra partida da exigência de ultra desempenho dos sistemas.

por: Marcelo Ruiz

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Programa Gravado no estúdio da Olharmultimídia:

apresentação
MARCELO RUIZ

direção, câmera RODRIGO NUNES
edição CLARISSA ALMEIDA

produção
OLHARMULTIMÍDIA