quarta-feira, 13 de junho de 2012

Comentando o ranking das câmeras Panasonic


Enquanto termino as tabelas dos outros fabricantes de câmeras, vou postando alguns comentários sobre os modelos já ranqueados. Vamos ver o caso das câmeras Panasonic. Em outro post eu já havia falado sobre a AG-AF100, fazendo uma comparação com outras três câmeras de grandes sensores. Na época ela levou nosso selo de preferência. Mas como ela se saiu na comparação com suas irmãs de marca? Algumas boas surpresas saíram desse comparativo.
E como vou ressaltar mais uma vez, não se trata de olhar apenas o maior índice. Quem teve paciência de ler as explicações iniciais das tabelas já publicadas, já deve saber que isso não é o mais importante.
Então vamos começar com o modelo com índice mais alto: 

AG-HMC40PJ




Com índice de .72 foi o modelo mais bem posicionado entre as 19 já ranqueadas, da Panasonic e Sony. Mas isso não significa que você vai sair correndo para comprar uma só por causa disso. O alto índice se deve, nem tanto aos recursos oferecidos, mas por conta do preço bastante baixo da HMC40. Muitos seguidores do blog me perguntam por essa câmera, interessados principalmente pelo baixo custo de aquisição. Minhas restrições a ela são por conta do sensor de ¼” e a lente com apenas 1 anel multiuso, mas com a qualidade Leica Dicomar. Outra questão é o tamanho muito acanhado. Se o caso for presença, a HMC80 cumpre bem o papel, com seu formato de ombro e as mesmas especificações, mas com custo adicional de US$ 500,00. Mas para quem está começando um pequeno negócio de filmagem de festas infantis, por exemplo, dispondo de pouco capital e sem muita experiência com operação de câmeras, sem dúvida essa é uma grande escolha.

AG-HPX170PJ

Essa câmera obteve o quarto melhor índice, empatada com a PMW100 da Sony, com uma boa pontuação geral. Tem saída SDI  e a falta de uma saída HDMI é compensada pelas saídas componente analógica, iLink (que ainda pode ser útil) e vídeo composto e áudio com conectores RCA, que evitam aquele dissabor de esquecer o cabo proprietário. A lente Leica Dicomar é bem clara e precisa, embora falte o anel de íris, substituído, como na antiga HVX200 por um botão lateral. Tem conectores XLR para microfones profissionais, com alimentação Phanton Power e um corpo robusto e durável. Além disso, utiliza o codec DVCPro HD de 100Mbs, mais amigável a computadores sem muitos recursos, por ser menos compactado que o AVCHD. Os pontos negativos, vão para a mídia de armazenamento e o codec DVCProHD, que apesar de gravar a taxas altas (até 100 Mbps, tem a compressão em 8 bits (4:2:0). E também porque a HPX170 utiliza os cartões P2, proprietários da Panasonic, que apesar de confiáveis e rápidos, tem um preço bastante elevado e não são achados com facilidade. Muito embora a Panasonic tenha anunciado, este ano na NAB 2012, que em breve colocará a venda adaptadores P2/SD Card, que permitirão o uso de cartões SDHC e SDXC em todos os modelos da marca que usam mídia P2. Portanto, com o excelente preço atual de US$ 3.795,00, e a possibilidade futura da utilização de mídias mais baratas, essa câmera pode ser uma bela aposta.


AG-AC160
A AG160 está para a Panasonic como a NX5N está para a Sony. É aquela câmera bem completa, com boas saídas de vídeo e áudio, lente com 3 anéis de operação e um zoom de 22X, usa cartões SD Card baratos e fáceis de encontrar e está no meio do caminho, em relação a custo de aquisição, entre os modelos mais simples e os mais caros e não tão sofisticados. Chego a pensar se os exatos US$ 1 mil dólares a mais que a HPX170, compensem a lente com 1 anel a mais (embora não seja Leica), a facilidade e menor custo do cartão SD Card e a incorporação de uma saída HDMI. E tudo isso usando ainda o codec AVCHD, mais complicado para trabalhar em computadores mais fracos. Mas se você gosta da Panasonic, não quer pagar mais US$ 300 por uma NX5N ou mais US$ 1200 por uma HPX250 com poucos recursos a mais e quer uma câmera versátil para diversos tipos de trabalho, podendo ir do social às reportagens externas para televisão, a AG160 é uma boa escolha.

AG-HPX250PJ
A sucessora da lendária HVX200 herda a qualidade, robustez e uma ótima gama de características técnicas, como taxa de frames variável, boa quantidade de saídas e entradas de áudio e vídeo e já utiliza o novo codec AVCIntra 100 de 10bits, podedendo gravar na midia interna(P2) em compressão 4:2:2 no formato MXF para maior facilidade de edição e troca de arquivos e mantendo uma qualidade master de material. Para quem estava acostumado a trabalhar com o formato DVCPro HD, ela também oferece esta opção. Um senão apenas para as lentes, que apesar de terem um  bom desempenho indo da faixa wide de 28mm até uma tele de 616 mm com abertura míima de f1,6, não são mais da Leica como a HPX200. A Panasonic não informa em seu site o fabricante atual das lentes. De qualquer forma é uma alternativa, dentro de uma faixa de preço razoável, a Sony PMW-100, em termos de equipamento estilo ENG com facilidade de edição e arquivamento versátil (MXF). 


AG-AF100
Embora tenha recebido a maior pontuação entre os 19 modelos testados, empatando com Sony PMW-F3L, a AF100 ficou com um modesto índice de .39 em nosso ranking. Não foi o mais baixo, que ficou também com a F3L. Essas marcas, dos dois modelos, indicam apenas que o profissional ainda tem que pagar um alto preço por tecnologia de ponta e qualidade. Mas existem diferenças  básicas entre as duas câmeras. A F3 da Sony já parte de um custo elevado do corpo (cerca de US$ 17 mil) ainda acrescido de um jogo de boas lentes prime, que elevam seu custo final para gulosos US$ 25 mil, embora essa diferença de oito mil dólares seja razoável para 3 lentes cinematográficas. As mesmas lentes compradas avulsas da Zeiss, custariam cerca de US$ 12 mil.

Ao contrário da Sony, e essa nosso ver, é uma das melhores qualidades da Panasonic AG-AF100. Partindo de incríveis US$ 4.995 de custo para o corpo da câmera, que ao contrário da F3, vem com um bom kit de acessórios, ela acaba custando menos da metade do preço de um bom jogo de lentes. Para nosso ranking, optamos por incluir um jogo com 3 lentes Zeiss ZF que acabou elevando o custo final para US$ 8930. As lentes escolhidas para o kit não foram primes cinematográficas. Foram primes DSLR para fotografia. Optamos por essa abordagem para dar um certo equilíbrio na relação de custo corpo/lente.

Nos quesitos técnicos a AG-AF100 tem todos os recursos que hoje sonhamos em uma câmera profissional. Lentes intercambiáveis, um sensor de imagem generoso, que perde por apenas 5 milímetros na largura para o Sony Super35, gravação a 60 quadros progressivos, utilização de mídia SD Card de baixo custo e facilidade de compra, saídas SDI e HDMI, além de vídeo analógico em SD, microfone interno e entradas XLR para microfones externos, taxa de frames variável de 1 a 60 fps, permitindo câmera lenta ou rápida. A montagem de lente Micro Four Thirds, permite tanto o uso de lentes 4/3 e micro 4/3  da Panasonic e de outros fabricantes como a Leica, com custo mais acessível, bem como o uso de adaptadores PL para lentes prime cinematográficas.

Os recursos técnicos e as possibilidades artísticas e estéticas da AF100, fazem dela uma câmera versátil, podendo ser usada para produções cinematográficas de baixo orçamento, comerciais para televisão, eventos ao vivo e mesmo eventos sociais sem as limitações da tão aclamada Canon 5DMKII. Somente um senão deve ser observado. Quem está acostumado com a facilidade do botão lever de zoom vai sentir um certa dificuldade para usar o zoom mecânico de certas lentes. Na verdade o ideal é contar com um disco de follow focus extra para acionar o zoom com mais suavidade, bem como outro follow para o foco, no caso de não usar lentes Panasonic com auto foco. Mas pelo preço de entrada de uma câmera com sensor 1/3  e lentes fixas, isso nos parece um problema menor.

Conclusão

Em relação aos demais modelos da Panasonic e outros modelos já comparados, a AG-AF100 pelas características técnicas inovadoras e baixo custo recebe mais uma vez nosso selo de recomendação. 


Grande abraço a todos!

Marcelo Ruiz


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