quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Arquivando material antigo: custo x segurança


Hoje as câmeras com cartões ou mídia interna estão dominando o mercado de vídeo produção. Para que trabalha com comerciais e outros vídeos que não necessitam tanto serem guardados por muitos anos, não existe muito problema. Mas quem trabalha com vídeos institucionais e eventos sociais, se depara com a necessidade de guardar durante muitos anos o material do cliente. Embora não tenhamos obrigação legal nenhuma de guardar o material bruto ou finalizado de um casamento, por exemplo, de um modo geral todas as produtoras acabam guardando.

E não é raro os casos de clientes, que perdem as diversas cópias em DVD do seu evento e voltam a produtora para pedir outras. Nesses casos fica muito chato dizer ao cliente que apagamos ou descartamos tudo. Mas como fazer para guardar tantas horas de vídeos com segurança e economia? Existem várias opções. Cada uma delas oferece vantagens e desvantagens em termos de segurança e custos. E muitas vezes a solução mais cara, não é a mais segura.

Vamos analisar as opções disponíveis e ver, caso a caso, esses detalhes. Devemos partir de algumas premissas básicas:


·      Se o conteúdo é importante, precisa ser guardado com segurança;
·      Para oferecer segurança, ele deve estar em um meio (mídia) diferente da original, pois se houve um erro em um arquivo digital e ele é copiado para uma mídia do mesmo tipo, o erro vai se apresentar nas cópias;
·      Manter os arquivos de backup no mesmo espaço físico dos arquivos originais também é um risco, pois um roubo, incêndio ou inundação, para citar alguns danos mais comuns, vai destruir o original e as cópias de segurança;
·      A disponibilidade do material ao longo dos anos, também deve ser levada em consideração. Não adianta guardar em um meio que não possa ser lido ou acessado em um futuro próximo. O bom backup deve ser viável em longo prazo. Vejamos alguns casos:

1.     Em termos de durabilidade, confiabilidade e facilidade de acesso, por incrível que pareça, a boa e velha película cinematográfica é a campeã. Existe a mais de um século, os meios para acesso (um projetor cinematográfico) podem ser construídos em qualquer tempo, no futuro, pois são tecnologia simples e conhecida, as negativos já provaram sua durabilidade por períodos de mais de um século, quando guardados nas condições ideais. Hoje em dia, com o declínio das filmagens em película, esta mais difícil o acesso a esse meio como forma de backup, mas isso não quer dizer que ele esteja ultrapassado em termos de durabilidade e segurança.
2.     Os sistemas de bancos de dados em computador ou na nuvem (iCloud storage). Esse último está se tornando muito popular, substituindo os bancos de dados particulares em empresas de grande e médio porte. O custo altíssimo de manutenção do sistema próprio é dividido com outros usuários. Mas ainda é caro, considerando que se paga atualmente cerca de R$ 2,00 por GB de espaço por mês (R$/GB/m daqui por diante nesse texto). A questão de segurança, embora esses servidores fiquem em locais seguros até de ataques nucleares, tem sido questionada por especialistas. Uma catástrofe mundial, como um bombardeio de raios cósmicos provenientes das erupções do Sol, poderia destruir facilmente qualquer equipamento eletrônico ou mesmo o fornecimento de energia no mundo. Nesse aspecto, podemos voltar ao filme de película. Basta um projetor movido a manivela ou corda, uma fonte de luz, que pode ser uma lâmpada a gás, e lá esta seu conteúdo pronto para ser assistido. Em uma catástrofe, você pode perder muitos indivíduos com a capacidade de criar computadores e sistemas, mas certamente achará com mais facilidade ferreiros e torneiros mecânicos que possam construir um projetor rudimentar.
3.     Discos rígidos (HDD) guardados em computadores ou isolados em um cofre. São hoje uma das opções mais baratas, pois o custo gira em torno de R$ 0,12 por GB armazenado em disco fora de um computador. Se estiver funcionando dentro de uma estação de armazenamento, o risco de dano físico e o custo/mês aumentam mais, dependendo do tamanho do sistema e medidas de segurança. Na questão de fragilidade a catástrofes tem o mesmo problema dos servidores em nuvem. E também não são a prova de tempo. Hoje mesmo, sem nenhuma catástrofe, que tiver um velho HDD padrão IDE, vai encontrar dificuldades em achar um computador com placa-mãe com conectores IDE disponíveis no mercado. Somente placas antigas, usadas, dispõe desse recurso.
4.     Mídias em estado sólido, como SSD HD, cartões de memória e pen-drives. São mais seguros que os HD mecânicos, pois são mais resistentes a quedas e até mesmo imersão em água. Existem diversos casos documentados de câmeras fotográficas caídas no mar, por turistas descuidados, que foram levadas à praias distantes milhares de quilômetros do ponto onde foram perdidas e os cartões com fotos puderam ser lidos em um computador. Em alguns casos, o dono  foi encontrado, depois das fotos terem sido postadas na internet.  Mas o custo ainda é alto, cerca de R$ 0,65/GB para cartões SDHC ou cerca de R$ 2,91/GB para SSD HD. Existe também o problema das catástrofes naturais que podem inviabilizar a leitura, seja por destruição da mídia ou extinção da tecnologia necessária para a leitura.
5.     Fitas magnéticas de dados, vídeo ou áudio. Também estão caindo em desuso. Mas, depois dos filmes em película, foram as mídias que se provaram, na prática, as mais duráveis. Fitas máster de áudio e vídeo dos anos sessenta, ainda podem ser recuperadas com razoável qualidade no caso de vídeo e qualidade original no caso de gravações sonoras feitas em estúdios profissionais. Então isso nos leva a uma duração de mais de 50 anos, desde que conservadas adequadamente. O custo atual também é baixo. Uma fita Beta SP de vídeo, pode armazenar até 90 minutos de vídeo componente sem compressão, o que corresponde a cerca de 100GB de dados, se o mesmo vídeo fosse armazenado em meio digital. Isso gera um custo de R$ 0,90/GB considerando-se o custo médio de uma fita em R$ 90,00. Os contras são a obsolescência dos equipamentos e as mesmas possibilidades de catástrofes, citadas no caso de armazenamento em nuvem. Os equipamentos atuais para leitura e gravação dessas mídias, baixaram de preço em várias dezenas de milhares de reais. Mas como deixaram de ser fabricados, não se pode garantir a manutenção futura dos mesmos, muito embora tenham sido construídos para durar décadas. Um modelo novo hoje ainda possível de ser encontrado ou usado em excelente estado, tem uma expectativa de vida útil de mais de 40 anos.
6.     Mídias óticas.  Hoje são um meio barato, prático e acessível para se guardar áudio e vídeo. O custo de armazenamento de um vídeo em BluRay não passa de R$ 0,20/GB. Só perdem para os discos rígidos mecânicos. Em compensação são frágeis e sensíveis a manipulação excessiva, a exposição a luz e ao calor extremo. Um pequeno arranhão em uma área determinada pode corromper todo o disco, tornando quase impossível a recuperação. Também dependem de equipamentos que podem se tornar obsoletos rapidamente ( já se fala no fim das mídias óticas para distribuição de música e vídeo. E muitas empresas de software, como a Apple, não oferecem mais leitores óticos nos seus produtos e mesmo a venda do sistema operacional OSx é feita somente por download atualmente. Em caso de catástrofes também terão os mesmos problemas do armazenamento remoto em servidores, das fitas magnéticas e cartões de memória. A curto prazo, pela facilidade de acesso e custo baixo, são a opção mais popular  e viável, depois das fitas magnéticas. Porém tem o problema da compressão de dados, tanto em áudio, como em vídeo, o que pode se tornar um problema para futuras remasterizações.

Se levarmos em conta as regras de segurança e as considerações acima sobre preços, viabilidade e disponibilidade, podemos finalizar com algumas conclusões:

·      A ilha de edição não é lugar para guardar os arquivos de trabalhos finalizados para um médio ou longo prazo, mesmo porque acaba lotando os discos de sistema e projetos, diminuindo o desempenho do computador (discos com mais de 50% da capacidade ocupada, chegam a perder 60% de eficiência);
·      Por motivos óbvios de segurança, manter backups ou arquivo morto no mesmo local, mesmo em computadores diferentes, onde estão os arquivos originais é um risco muito grande, principalmente durante a edição, pois vc não tem sequer uma cópia já em poder do cliente, para gerar outra cópia de segurança. Perdeu dados nessa fase, perdeu o cliente e ainda pode estar sujeito a um processo;
·      A mídia mais barata para arquivamento é o disco rígido convencional, fora do computador, guardado em ambiente sem humidade, calor ou vibração excessivos;
·      A segunda opção são as fitas magnéticas de qualidade profissional, guardadas nas mesmas condições;
·      O velho filme 35mm é a opção com mais longevidade e facilidade de recuperação futura, mesmo em caso de calamidades extremas que extingam toda a tecnologia digital. Em contrapartida tem o custo mais elevado e dificuldades de acesso no presente ( um paradoxo);
·      Os cartões de dados são a segunda opção mais cara e os mais fáceis de serem extraviados, devido ao tamanho reduzido. Facilitando inclusive roubo de informações por passarem quase despercebidos em vistorias de segurança.

Então vamos prestar mais atenção na forma como estamos conservando e guardado nossos conteúdos para nosso uso futuro ou das gerações que virão, até mesmo para não perdermos dinheiro com o custo de armazenamento. Como dizem os profissionais de TI, nós só pensamos e damos valor ao backup, quando perdemos dados que estavam sem ele.

Grande abraço a todos!

Marcelo Ruiz

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