08/04/2013

Opinião: Paulo M. de Andrade - Blog Vídeo Gurú

Marcelo,

Falando em educação, ainda temos um outro problema. Antigamente as pessoas começavam como aprendizes. Iam aprendendo seus ofícios com pessoas mais experientes e só melhoravam de posto quando provavam que mereciam uma chance. Hoje vejo, com muita tristeza, a falta de respeito e até de consideração com os veteranos aqui no Brasil. As pessoas compram um equipamento e entram no mercado sem experiência nenhuma. E, em vez de procurar os mais experientes para aprender um pouco, dizem que eles são velhos e ultrapassados.

Recentemente presenciei uma situação que seria engraçada se não fosse trágica. Um jovem diretor não quis contratar um diretor de fotografia com anos de experiência e uma bagagem de dezenas de longas porque disse que ele era "ultrapassado". No lugar dele, contratou um jovem recém formado. Resultado: a linguagem "inovadora" do jovem se resumiu a um material com a câmera sacudindo o tempo todo, mesmo quando certas cenas pediam uma câmera parada. Essa linguagem "inovadora" já tem mais de 20 anos, quando ficou popular na MTV americana. O próprio diretor se arrependeu de sua escolha. Agora você vê os melhores diretores de fotografia dos EUA e a grande maioria já passou dos 50 ou 60 anos. São mais valorizados porque têm experiência, e os jovens dariam tudo para ser seus assistentes. Por aqui, a experiência é descartada e desvalorizada. E os profissionais ficam cada vez piores. 

Ou seja, se o mercado vem se desvalorizando, também está repleto de pessoas sem experiência e sem humildade para aprender com quem sabe. Ninguém mais quer ser assistente. Todos querem ser diretores. Se eles não respeitam nem os mais experientes, acha que vão respeitar o próprio mercado?

Tenho também ficado abismado com a quantidade de "profissionais" que vendem um serviço sem ter a mínima noção do que estão fazendo. São editores que se vendem como coloristas e o máximo que sabem fazer é aplicar um look enlatado do Magic Bullet. Ou, como presenciei, a pessoa que se dizia finalizadora que nem sabia exportar um vídeo para um VT, muito menos a diferença entra PAL e NTSC.

Também não sei onde o mercado vai parar. Nossa sorte é que sempre surgem algumas pessoas talentosas para compensar a mediocridade geral. Quem sabe, depois que os predadores extinguirem a si próprios do mercado, as coisas voltam a melhorar. A lei do cabo tem tido um efeito positivo nisso tudo. As exibidoras têm exigido um mínimo de qualidade e as produtoras têm buscado profissionais mais qualificados, senão têm seus produtos recusados. 

Abraço,

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Marcelo Ruiz