sábado, 5 de maio de 2012

Tamanho não é documento: Panasonic Lumix GF3



Não resisti e comprei uma Panasonic Lumix GF3 usada no Mercado Livre. Queria comprovar eu mesmo os bons comentários que tem sido feitos em outros blogs sobre a linha de câmeras digitais compactas da marca. A GF3 nem é o modelo mais completo e sofisticado da gama. Atualmente a câmera top de linha da série G é a Lumix GH2 e mesmo a GF3 já tem uma atualização, a GF5. Mas vamos ao que interessa. A GF3 é uma câmera situada entre as DSLR e as câmeras compactas tipo point-and-shot. Possui um sensor CMOS de formato APS-C com 12 megapixel e lentes intercambiáveis no  formato Micro Four Thirds desenvolvido pela Panasonic em parceria com a Olympus.


Esse formato vem ganhando muitos adeptos no mundo da fotografia não profissional, entre os chamados amadores sérios.  Não possui, como as DSLR, um visor ótico prismático e nem o sensor full 35mm. São câmeras compactas que cabem no bolso da calça e na palma da mão. Mas não se enganem com o tamanho e a simplicidade. Apesar do despojamento externo com a ausência quase total de botões, sendo toda controlada através de um dial giratório ou mesmo pela tela touch-screen, o que causa alguns inconvenientes na hora da configuração em modo totalmente manual, essas pequeninas maravilhas da tecnologia fotográfica não deixam a desejar em poder de processamento e recursos.

Basta dizer que toda a serie G da Panasonic usa o mesmo processador de imagens e sensor 4/3 que foi utilizado na construção da câmera de vídeo profissional AG-AF100, da qual já falamos aqui no blog. Evidentemente a AG-AF100 possui diversos recursos que não caberiam no corpo minúsculo das câmeras fotográficas. Mas a qualidade da imagem é a mesma. É incrível o que a Panasonic conseguiu fazer com o formato. Além da qualidade das fotos não deixar nada a desejar em comparação com outras DSLR profissionais, elas ainda gravam vídeo em formato Full HD 1920 x 1080 @ 30fps. E ainda podem ser turbinadas graças a possibilidade de reconfiguração do firmware original. Isso mesmo: elas podem ser hackeadas!

Essa façanha está hoje ao alcance de todos graças a um amante da fotografia e dos computadores russo chamado Vitaliy Kiselev, que conseguiu criar um programa para alterar o firmware original de alguns modelos de câmeras, fazendo-as funcionar muito melhor e com infinitas possibilidades de configuração de imagens e vídeos. Pelo sucesso que essa nova forma de interferência nas câmeras, por enquanto possíveis apenas em modelos não profissionais, está fazendo entre cineastas iniciantes, eu não duvido que logo apareçam categorias  voltadas a essa nova forma de arte, em festivais tradicionais ou mesmo o surgimento de mostras competitivas dedicadas a essas câmeras.

Assim que recebi minha GF3 arregacei as mangas e reconfigurei a mocinha com um firmware chamado Driftwood (nome de um dos membros do blog do Kiselev) Orion Sedna. Mas o que faz exatamente essa modificação do firmware da câmera? Vamos ver um dos atributos. Geralmente todos os modelos de câmeras de vídeo que usam o codec AVCHD limitam a taxa de dados de gravação dos arquivos a velocidades entre 23 e 28 Mb/seg (cerca de 3,5 MB/seg). Com isso tornam os arquivos pequenos, possibilitando maior tempo de gravação nos cartões de dados. um cartão SD Card de 16 Gb pode gravar cerca de 89 minutos de vídeo HD na qualidade máxima.  Com a modificação na minha GF3, o mesmo cartão de 16 Gb só consegue armazenar apenas 15 minutos de vídeo HD.



Em compensação a GF3 está gravando os vídeos em uma configuração semelhante ao AVC Intra 100. Ou seja, usando uma taxa de dados de cerca de 100Mb/seg (12MB/s) em compressão intra-frame, ou seja, ao invés de compactar o conteúdo de 15 frames em 3 frames contendo as informações de todo o GOP (Group of Frames), ela grava toda a informação do frame capturado nele mesmo, sem compara-lo com os anteriores e os posteriores, fazendo a predição e interpolação dos elementos da imagem que se moveram entre vários frames consecutivos. O AVCHD consegue tão boa qualidade e arquivos pequenos graças a esse processo que utiliza algoritmos matemáticos.

Mas ao compactar parte da informação de vários frames em um só e usar cálculos complexos para "predizer" o que irá mudar de um quadro a outro, acaba incorporando as imagens os ruídos chamados de "artifacts" (aqueles pontos claros e erráticos que degradam as imagens, semelhantes aos ruídos de preto em cenas com pouca luz). Nos poucos testes que pude fazer até agora, fiquei bastante impressionado com o desempenho da nova configuração, principalmente em captações de objetos com muito movimento.

Outra vantagem dessas pequeninas, é o sensor de tamanho generoso (quase um Full Frame 35mm), que permite uma excelente definição de detalhes e principalmente um ótima profundidade de campo. Abaixo podemos ver um exemplo que gravei rapidamente hoje. Ainda vou postar aqui exemplos melhores e mais elaborados. Por enquanto estou limitado a apenas uma lente que veio com a câmera, uma Prime (foco fixo) de 14mm e 2,5 de abertura máxima. Estou providenciando ($$$) outras lentes para fazer mais testes. E vale lembrar que essas lentes são compatíveis com a AG-AF100 que também pretendo adquirir brevemente. 



Nesse rápido exemplo podemos observar o belo desfoque do segundo plano e a boa resolução de detalhes do primeiro plano. Ao pausar o vídeo, quase no final, observem que mesmo a botoeira do sinal de trânsito não está totalmente focada no primeiro plano. A profundidade de campo é tão curta que apenas a porção da caixa mais próxima a lente está em foco. Com as configurações de abertura da lente e a distância em que a caixa foi filmada, apenas uma curta faixa que vai de 19,5 cm até 20,7 cm da lente está em foco.

Essa precisão do campo focal é uma das vantagens doas câmeras de grande sensor e das lentes de distância focal fixa, permitindo takes mais criativos onde podemos destacar na cena capturada apenas o que é necessário dentro da história que está sendo contada. O desfoque controlado leva o olho do espectador direto ao motivo que queremos destacar na imagem. É essa possibilidade que tem levado mais e mais diretores e cinegrafistas a optarem por câmeras como a Canon 5DMKIII e incentivado os fabricantes tradicionais de câmeras de vídeo a lançarem modelos como a linha NEX da Sony e outros mais sofisticados como a F3 e a própria Canon a colocar no mercado a C300 que compete diretamente com sua própria 5DMKIII.

Em breve prometo postar uns vídeos mais elaborados com a GF3 para podermos comparar melhor sua performance com as câmeras tradicionais.

Grande abraço a todos!

Marcelo Ruiz

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