22/01/2014

Receita de bolo para regulagem de câmera existe?

Não importa qual seja a luz e de que fonte ela venha. Aluz é sempre amiga do fotógrafo e não sua inimiga.
Fotograma do filme Baraka" de Ron Fricke (1992), EUA. 

Recebi uma pergunta de um leitor, que não é um caso isolado.  Muitos procuram por esse tipo de solução. Mas a verdade é que ela não existe:

“Você sabe qual a melhor configuração para filmagens à noite e de dia com a câmera Sony HVR Z5N? Se souber poderia me dizer qual é, por favor? Preciso configurar a minha para testa-la.”

Na verdade essa é uma pergunta para a qual não há resposta. Não existe a tal configuração ideal, pois a cada cena captada, dependendo de diversos fatores, as exigências mudam. A própria luz do dia ou da noite muda o tempo todo. Então um ajuste único, tipo receita de bolo, não existe e se for tentado, na maioria dos casos só iria piorar as coisas. Mas como linhas gerais, o que se pode sempre recomendar é fazer muitos testes com o equipamento, em diversas situações, experimentando várias opções que configurações que ele oferece. Para isso é preciso antes conhecer bem os fundamentos da fotografia e do vídeo. Entender como eles influenciam o resultado da imagem final. Isso já é um grande passo para prevenir os erros mais comuns. Existem diversos sites sobre o assunto na web, inclusive abordando modelos específicos de câmera. Sites com as noções básicas da fotografia também são abundantes e com diversos níveis de complexidade.


Quanto ao caso específico da Sony HVR-Z5N, que se aplica também ao modelo Z7, sempre houve uma reclamação dos cinegrafistas quanto ao excesso de ruído em situações de pouca luz. De todas as câmeras da Sony portáteis que eu operei, esses modelos me deram muita dor de cabeça em situações de pouca luz. Mas depois que se aprendia a contorna-los as imagens passavam a ter uma qualidade muito boa. E na maior parte dos casos, trata-se de configurações gerais aplicáveis a qualquer marca ou modelo de câmera. Geralmente os maus resultados são devidos a erros ou vícios de operação cometidos pelo cinegrafista.
A ausência de luz também é informação relevante na composição da cena.
Fotograma do filme Baraka" de Ron Fricke (1992), EUA. 


O mais importante é tirar sua câmera do modo automático. Seja de dia ou na noite. Modo automático em vídeo só serve para causar problemas. Na hora que estamos filmando parece tudo parece bem no LCD. Depois, na hora da edição, no monitor grande e de alta definição,  se descobre os erros e na maioria dos casos não se pode corrigir. Então, como sempre digo, o mais importante é captar certo, como se não existisse a possibilidade de edição.Vamos às dicas gerais:

  1. Câmera deve estar sempre com todos os ajustes no modo manual;
  2. Jamais confie no LCD. Ele quase sempre vai mostrar uma imagem falsa com muito mais ou muito menos contraste, principalmente em situações extremas de luz;
  3. Use sempre que possível o viewfinder (ocular), deixando-o no modo preto e branco, pois fica mais fácil checar o contraste, sombras, foco e zebras com precisão;
  4. Cor não importa tanto. Se a imagem está com contraste e definição em PB e o balanço de branco foi regulado corretamente, as cores certamente estarão boas e pequenos ajustes poderão ser feitos na edição.
  5. Não use o branco automático. Sempre bata o branco no local da filmagem em uma superfície branca onde a luz principal incida;
  6. Não confie no ganho automático para melhorar o desempenho no escuro. Deixe-o sempre no modo manual em 0 dB;
  7. Em algumas situações específicas, mesmo com pouca luz, no caso de câmeras como as Sony Z5 e Z7, mesmo um ganho negativo de -6 dB pode dar melhores resultados;
  8. Para isso focalize em uma superfície escura no local da filmagem e vá diminuindo o ganho manualmente de 0 para algum valor negativo até obter um bom resultado. Lembre-se que ao diminuir o ganho, a imagem ficará mais escura e será preciso compensar com uma maior abertura da íris e menor velocidade de diafragma;
  9. Não adianta querer que a câmera “enxergue” o que seus olhos estão vendo em uma situação de pouca luz. Isso não acontecerá com a maioria dos equipamentos de captação de imagens, exceto em alguns especiais para essa função. O truque então é dar destaque ao que a câmera está “enxergando” bem. Capriche na imagem nesse ponto. Por exemplo: uma pessoa cantando em uma boate escura. Não adianta fazer um plano aberto. Ele só vai mostrar um ponto iluminado no centro do palco e uma panorâmica de pretos e ruídos sem definição;
  10. Foque no rosto artista em close ou plano americano e aproveite a luz de pino que sempre é colocada em cima ou na frente do artista. É melhor ter close-ups interessantes do que uma panorâmica pobre. 
De destaque aos elementos que tem boa luz e assuma a escuridão como parte da história da cena.
Fotograma do filme Baraka" de Ron Fricke (1992), EUA. 


Durante o dia, em situações de muito contraste, também podemos tirar proveito da pouca luz. Apesar de pouquíssimo iluminado, o monge meditando continua sendo o motivo principal do quadro.
Fotograma do filme Baraka" de Ron Fricke (1992), EUA. 

Todas as dicas acima valem tanto para situações com pouca luz como para as de sobre exposição. Muita luz também empobrece a imagem e é bem mais difícil de corrigir do que as situações de subexposição. O mais importante é ter o controle manual do equipamento e não deixar que ele pense por você. O equipamento é burro. Você tem a inteligência de poder julgar e aprender.

Grande abraço!


Marcelo Ruiz

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